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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Construção de uma coreografia!!!!!


Um dos exercícios mais importantes no aprendizado da dança do ventre é a construção de uma coreografia própria. Ao procurar encaixar os passos e movimentos aprendidos em uma música, não apenas se exercita a técnica; aprende-se a ouvir a música coreograficamente. Ou seja, ouvir pensando no corpo e na linguagem de dança aprendida.


I - Defina qual música você vai coreografar.

1. Se é sua primeira experiência em coreografia, opte por uma música simples. Deixe as mais elaboradas para um segundo momento. É sempre mais interessante começar pelo mais fácil, para evitar frustrações. Defino como simples as músicas com o padrão estrofe 1, refrão, estrofe 2, estrofe 3, refrão. Música pop, "moderna" costuma ser assim;

2. Do mesmo modo, escolha uma música curta. As muito longas dão mais trabalho, exigem mais imaginação para evitar repetições. Chamo de curta a música com duração inferior a sete minutos.

3. Coreografe uma música de que você goste muito. A vontade de dançar ajuda bastante no trabalho criativo.

4. Ouça muitas vezes a música. Procure ouvir com fone de ouvido, para captar sutilezas. Ouça concentrada, prestando atenção. É muito diferente de quando ouvimos uma música enquanto dirigimos, por exemplo.


II - Comece a definir a coreografia.

5. Procure ouvir a música novamente, imaginando uma bailarina dançando. Gosto de visualizar uma bailarina imaginária. Geralmente, se me coloco no lugar dessa bailarina, minha imaginação dá uma travadinha nos meus pontos fracos. Deixe-se imaginar algo realmente maravilhoso, ainda que você duvide que consiga executar os movimentos. Se fizer bastante esse exercício verá que a prática melhora bastante. Para mim, pelo menos, funciona.

6. Dê uma dançadinha, cheque se o imaginado se adapta de fato à música, ou seja, se é viável fazer o que se imaginou. Provavelmente vai precisar fazer alguns acertos pequenos, principalmente no tocante à finalização e emenda dos passos. Se você quer muito, muito, muito colocar um passinho que ainda não está saindo legal, aproveite para estudá-lo. Se ele está bem guardado na memória, certamente não custará a passar para o corpo.


III - Defina os movimentos a serem utilizados

7. Observe os pontos altos, explosões e momentos menos excitantes da música. Toda música tem as partes bem marcadas, fáceis, e uma parte que convida à "embromation". Fique tranqüila e identifique os momentos fáceis e os momentos que vão exigir mais de você.

8. Identifique os momentos da música. Na música clássica funciona mais ou menos assim: introdução (não dançada), entrada, tema principal, taksim, desenvolvimento, retorno ao tema principal, finalização. Na música moderna, é tudo mais simples: entrada, primeira estrofe, segunda estrofe, refrão, segunda estrofe, variação simples da primeira, refrão, fim.

9. Lembre-se que as entradas e as saídas são muito importantes. São a primeira e a última impressão de sua dança. Escolha uma entrada com menos agitação de quadris, desfile, mostre sua roupa, seus lindos cabelos e, principalmente, seus dentes. Não corra demais, seja calma, não fique suando loucamente. Você terá tempo para mostrar técnica ao longo da música. Na saída, energia nunca é demais. Pode botar pra quebrar.

10. Evite repetições em um mesmo trecho da música. Dezesseis tempos de básico egípcio fica entediante. Lembre das variações sobre o mesmo passo, se o desespero apertar. Não há problema algum, no entanto, em repetir passos dentro da coreografia. Devem, no entanto, ter ênfases diferentes, porque a música está variando o tempo todo, pedindo para que você dê ao movimento a energia dada às frases musicais.

11. Enriqueça a coreografia explorando bem o espaço. Pontue frente, fundo, direita, esquerda, diagonais. Alternar movimentos altos e baixos também é importante para quebrar a monotonia. Se você já esteve há um tempo "no alto", opte por fechar com um movimento "baixo" - em uma seqüência de básico egípcio e deslocamento com camelo, por exemplo, conclua com um redondo grande.

12. Alterne seqüências estanques com seqüências dinâmicas. Ou seja, não fique apenas parada nem só deslocando. É também importante discernir os momentos em que é melhor ficar parada e os momentos em que a música pede um deslocamento. Geralmente, taksim pede para ficarmos mais quietas, mais introspectivas; quando a orquestra inteira está envolvida, geralmente chama a bailarina para um deslocamento. Assista a vídeos de boas bailarinas observando suas escolhas de movimento ou quietude.


IV - Anote a coreografia.

13. Crie um código para os movimentos usados na dança. Isso vai ajudar na anotação da coreografia. Como sabemos, na dança do ventre não há normatização dos passos, como ocorre com o ballet. O resultado disso é que muita gente dá nomes aleatórios para os passos e ninguém entende ninguém. Há o "patinho", o "ovinho", o "soldadinho", o "sapinho"... E há também nomes que muita gente compartilha, como oitos, redondos, básico egípcio, camelo... Ou seja, não se preocupe com nomes. Se preferir, reúna amigas e procure combinar um padrão entre vocês. Por exemplo, o movimento de rotação de quadril com encaixe ao centro (conhecido por muitas como "gotinha") pode receber um nome próprio, dado por você. Associe o movimento a uma imagem. Deixe a imaginação fluir.

14. Gosto de me sentar na frente do computador com fone de ouvido. Minimizo a tela do word para poder acessar facilmente o winamp (ou real player). Vou anotando os minutos e os passos (ou seqüências) correspondentes àquele determinado momento da música.Dou o exemplo de Fakirni, coreografia muito simples cujo trecho está aqui:
0: 32 - Bate-cruza (3), batida lateral dupla (repete) 0:43 - Redondos pequenos, finaliza com redondo grande,- batida lateral esq.; batida lateral dir., virada para a lateral com jogada de perna;- batida pélvica; 0:59 - (fakirni) batida lateral esq, virando para a frente - batida lateral dir., batida lateral esq- batida pélvica.- batida lateral dir, esq, batida pélvica 1:08 - básico egípcio (sem perna), troca de lado recuando; avança com desfile, pontua com pulinho, redondinhos 1:19 - twist, giro; repete para o outro lado 1:27 - giro deslocando, acentua com peito; repete para o outro lado;- repete giro deslocando, shimmy de ombros, giro simples.


15. Experimente dançar com a folha impressa em mãos, anotando possíveis ajustes. Prontinho! À medida que for pegando prática, vai sentir que é divertidíssimo criar coreografia. É gostoso ir ouvindo a música e imaginando que movimento você colocaria aqui e ali. Sem falar que ao dançar uma coreografia própria é bem mais fácil colocar a expressão apropriada.


Texto gentilmente cedido por Roberta Salgueiro, bailarina e professora de dança do ventre http://yallah.multiply.com/

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