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domingo, 31 de agosto de 2014

Momentos de Dança!!

Trajetória da Dança do Ventre no Brasil.

Nós, alunas, nem sempre conhecemos o trajeto da dança em terras brasileiras. Por isso, nada melhor do que lembrar de alguns fatos e pessoas fundamentais para escrever esta história. A dança do ventre foi trazida para cá no final do século XIX pelos árabes, originários principalmente da Síria e do Líbano. A partir de 1950, uma nova leva de imigrantes veio para o Brasil, fugidos das guerras civis que assolavam seus países de origem. Muitos se concentraram em São Paulo, enquanto uma parte foi para a região Norte ou para a Sul.
Em meados dos anos 70, restaurantes frequentados principalmente por pessoas da colônia, como o Porta Aberta, Semíramis, Bier Maza, e o Clube Homs- todos em São Paulo- começaram a ter apresentações. Em geral, as bailarinas dançavam com um pequeno grupo de instrumentistas de alaúde, daff e derbake. Depois, o violino e o mejwiz (instrumento composto de duas flautas de bambu interligadas) foram adicionados às bandas que tocavam ao vivo.
Parte da repercussão da música árabe em terras brasileiras ocorreu com o grupo de Wadih Cury, pioneiro no uso do alaúde por aqui. Também colaboraram Fuad Haidamus, ágil no derbake e no daff, e Nabil Nagi, apesar de também tocar alaúde foi um dos primeiros a usar violinos nas canções tocadas aqui. Nesta época, eram as bailarinas Shahrazad , Samira Samia, Rita, Selma, Mileidy, Zeina e Zuleika Pinho, que acompanhavam os músicos nas apresentações. 


Em 1982, Jorge Sabongi abriu a Khan El Khalili, que existe até hoje, no bairro da Aclimação, em São Paulo. Dois anos depois, a casa de chá já tinha apresentações e logo estava oferecendo aulas e materiais de estudo da dança, colaborando com a sua popularização. O principal destaque da casa foi a bailarina e professora Lulu Sabongi, uma das primeiras a produzir vídeos didáticos – fundamentais para todas nós, alunas e professoras, desenvolvermos nossas técnicas. Outra família que colaborou com a difusão da música e da dança foi a dos Mouzayek, que tocava nas apresentações, gravava músicas e levam, até hoje, a Casa Árabe, loja com artigos de dança no centro da capital paulista. Hoje, o principal destaque da família é o cantor Tony Mouzayek e banda, que faz sucesso no Brasil e no exterior.
Nos anos 90, a dança já estava bem difundida e surgiram cada vez mais escolas, como a rede de escolas Luxor e eventos como o Mercado Persa, criado por Samira Samia (aquela mesma que dançava nos restaurantes) e organizado por sua filha Shalimar Mattar, é visitado anualmente por aulas e professoras de diversos estados. Neste percurso, a dança passou por transformações e adaptações, adquirindo novas técnicas e estilos.´
Fonte de pesquisa: Cadernos de dança.



Kawala

A kawala (kawal) é uma flauta egípcia alongada com 6 furos. O tamanho pode variar em até nove vezes, assim como os nomes dados e os tons que ela é capaz de produzir, mas normalmente seu som é longo, lento e linear. Feita de bambú, costuma ser usada em música folclórica e turca e aparece em muitos taksins. Por isso, é recomendável que a bailarina dance com movimentos lentos, alongados e, de preferência, que faça bastante ondulações.
Você pode brincar lentamente alongando o corpo e executando passos com braços abertos e até mesmo dançar ajoelhada no chão. Se precisar de inspiração, pense na reverência aos deuses do céu e não esqueça da instrospecção. Colocar-se no lugar da cobra enfeitiçada pelo som da flauta e se movimentar sinuosamente a cada sopro que o músico dá neste instrumento é uma boa maneira de seguir o som da kawala.
Batidas, shimmies e marcações fortes não combinam com este instrumento, mesmo que ele seja tocado de forma mais acelerada e apareça durante um derbake. Ao ouvir a kawala, é a hora certa para mostrar o domínio dos movimentos ondulatórios.
Fonte de pesquisa: Cadernos de dança.

Nay

Diversas flautas usadas nas músicas árabes, cada qual com uma característica própria.


Outro instrumento de sopro muito utilizado é o Nay, também chamado de Nai, Ney, Nye e Tuiduk di gagri.
É da família das flautas e, em persa, significa palheta.
Dizem que em algumas regiões, como na Turquia, este é o principal instrumento da música clássica e pode ser até o único de sopro.
Por isso, estima-se que seja bastante antigo. Há registros em desenhos egípcios que remontam ao século III a.C. . Também é usado em músicas populares, folclóricas e em rituais, como os dos povos sufis, desvishes.
É formado por um bastão com um furo para o polegar e outros seis para os outros dedos, lembrando uma flauta doce. Na ponta, uma boqueira, em geral feita com ossos de animais.
Pode ser feito com bambus, metal ou plástico. Existem nays de diversos tamanhos e cada um possui um nome especial. Na nossa pesquisa encontramos: olahenk, davut, sah, mansur, kizneyi, müstahsen e sipürde.
Assim como a Kawala, produz um som longo e lento. Por isso, se você identificá-lo em uma música, aproveite para explorar as suas melhores ondulações, variando a velocidade conforme o músico estiver tocando.
Lembre-se de que as ondulações podem partir do quadril, tronco e também dos braços e das mãos. Também é possível fazer dança de chão enquanto você ouve este som tão doce e, ao mesmo tempo, melancólico.
Fonte de pesquisa: Cadernos de dança.

Albogue ou Albogón.

Albogue ou albogón (também chamado de albokaris ou albokas) é um instrumento de sopro antigo, de provável origem asiática e seu nome vem do termo “al-booq”.
Usado na Europa desde a ocupação moura, passou pelo Renascimento com variedades de tamanhos e sonoridades. Tornou-se típico da região da Espanha, em especial, nas festas de regiões rurais.
Conforme foi adaptando-se às culturas e regiões, passou a receber outros nomes. Porém, em qualquer uma dessas, sua estrutura básica é a mesma: um tubo de madeira em forma de cone, com aproximadamente 10 cm e de 5 a 7  furinhos, que lembram os da flauta doce. Para tocar é necessário soprar uma embocadura que possui duas linguetas.
Diz-se que era usado como baixo nos concertos e que seu som é

semelhante a chamada “gaita galega”, embora as pesquisas sobre ele indiquem que ora é semelhante a uma corneta, ora a um sax.
Gostou? O estudioso Mariano Barrenechea escreveu “Alboka, entorno folklórico”, um livro que descreve como construir um instrumento deste e como ornamentá-lo.


Fonte de pesquisa: Cadernos de dança

Ritmo Rush

Em todos os ritmos que estudamos encontramos o famoso “floreado”, modo que o derbakista pode brincar com a base de um ritmo puro. Muitas vezes é isso que dificulta o reconhecimento do ritmo quando escutamos uma música, mas nada como ouvir muito para saber diferenciar.
Pensando nisso, fomos pesquisar se existia o floreado puro. E existe. Ele chama RUSH. Sem contagem alguma e com aceleração ao gosto do derbakista, este floreio natural causa grande impacto na música. É aqui que o entrosamento entre bailarina e músico é revelado. Se não há sincronia, fica horrível.
A ideia é que a bailarina toque com o corpo o que está ouvindo e normalmente o que aparece do som do derbakista é o seguinte:
Tarrrrrrrrrrrrrrrrrrrr….Karrrrrrrrrrrrr….
Sem a presência do Dum, é mais uma brincadeira do músico.
Se você acha que nunca ouviu, procure por músicas, em especiais os derbakes, que terminam com os famosos tremidinhos do derbake. Eis o rush.
Dica de passos? Tremidinhos, tremidinhos, tremidinhos….muito bom para soltar o quadril.
Fonte de pesquisa: Cadernos de dança.



Como montar uma coreografia clássica.

Pois é, cedo ou tarde quem faz dança do ventre depara-se com este enigma. O desafio, porém, não é nenhum bicho de sete cabeças e não é necessário ter anos e anos de experiência para montar uma coreografia dessas. É claro que a experiência colabora com uma dança mais limpa, variedades de passos e técnicas apuradas. Existem algumas regrinhas bem simples que facilitam muito. Lápis e papel na mão e vamos lá:
1) Introdução
Escolha uma música da sua preferência, que você goste e que se sinta bem ouvindo, pois você irá escutá-la diversas vezes.
2) Roteiro
No primeiro momento ouça a música para montar um roteiro de deslocamento. Ou seja, faça um desenho do caminho que você pretende percorrer, onde pretende parar, quando voltará a se deslocar e para que direção irá fazer a finalização. Faça um esforço, você vai cair na tentação de ficar criando passinhos e movimentos que combinem com a música. Mas essa é outra etapa.
Aproveite este momento para decidir se você irá usar algum acessório na entrada, qual será ele e quando você irá deixá-lo.  Lembre-se de pensar no seu público. Já falamos aqui nas videotecas sobre os públicos de palco (em três direções) e os de salões (quatro direções).  Use estes exemplos para decidir como irá  se movimentar e chamar a atenção da plateia.
2) Mapeamento da música
Feito tudo isso, pare para estudar a música. Você deve fazer uma análise muito atenta dos ritmos utilizados, em que momentos há transições e localizar as paradas mais fortes e taqsins. Para isso você deve estar com o ouvido afiado. Claro que alguns ritmos são fáceis de confundir, por isso, pesquise. Os ritmos aqui do Cadernos com certeza vão ajudar você nessa missão.
3) Aplicar mapeamento ao roteiro
Agora que você já sabe a ordem em que os ritmos aparecem, suas características e a melodia da música veja como isso tudo se encaixa no seu roteiro de deslocamento. Em que trecho você vai estar se deslocando? Quando você planejou ficar parada, qual é o ritmo? Será que não é melhor optar por parar de se deslocar em outro ritmo? Pense em todos os detalhes, pois já está chegando ao final!
4) Movimentos e sequências
Finalmente, depois de estudar muito bem a música e o seu espaço, é hora de pensar nos passos. Comece pensando nos ritmos, eles sempre trazem consigo uma série de passos que podem ser utilizados. Saidi, por exemplo, chama batidas de quadril fortes e acentuadas, básico egípcio. O Malfuf, por sua vez, pede passos de deslocamento rápido, como caminhadinhas e passeio no bosque. Depois, pense em sequências-chave para os principais momentos.
Você não precisa coreografar uma música clássica inteira. Prepare-se bem, não perca o ritmo e deixe-se levar pela melodia e ritmo para improvisar. O clássico também exige isso da bailarina: dançar com o coração.
Faça o máximo para não trocar de música durante todo esse processo, mas se você se cansar, não se desespere. Muitas coisas podem ser aproveitadas na sua próxima escolha. Com este modelinho você será capaz de montar uma coreografia simples e bonita de clássico. Agora é a sua vez de lembrar do seu repertório de passos para criar algo elaborado e diferente.
*** Colaborou com este post:  Samra Hanan – Graduada em educação física. É professora de educação física e dança do ventre. Pós-graduada em dança e idealizadora do Grupo Simbiose.