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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Artigo de Jorge Sabongi - khan El khalili.


Este artigo tem por objetivo oferecer informações úteis para nortear seu caminho durante o desenvolvimento e a manutenção da sua qualidade na dança. Não se angustie se, num primeiro momento, ele lhe parecer árido demais. Com o tempo perceberá que as informações são simples e facilmente digeríveis.
Sugerimos que você o imprima para lê-lo diversas vezes, pois existe uma gama de informações preciosas nas linhas abaixo, difícil de assimilar em uma única leitura.
A idéia é esta: oferecer-lhe diretrizes e embasamento. Você vai se surpreender com os resultados a longo prazo.
Esperamos ser de alguma ajuda para você que está trilhando seu próprio caminho dentro dessa arte.
Portanto, prepare-se para uma jornada! Se observar estes princípios, sua dança nunca mais será a mesma. Pode acreditar!"
"Aceite o fato de que nem todos os dias você vai estar leve para dançar como gostaria."
O começo de tudo
O sonho de qualquer bailarina é manter uma platéia presa e atenta a seus movimentos, do começo ao fim de uma apresentação. Se seu objetivo, ao entrar em cena, é apenas esse, algo estará perdido. Agilidade e qualidade técnica são pontos extremamente importantes, mas não são os únicos a serem observados.
A naturalidade ao dançar aliada a um bom preparo artístico são a garantia de seu carisma em cena. Existem muitos caminhos para seu desenvolvimento, pois cada mulher é um enigma. O estudo da dança e a intimidade consigo mesma criam, ao longo dos anos, um panorama intrincado e rico que vai transparecer em sua dança. Alguns pontos a serem observados:

Dinâmica
A dinâmica diz respeito a variedade de nuances e diversificação de momentos em sua apresentação.
Você pode favorecer a concentração do público através da correta utilização da música em seus diferentes caminhos. Sua interação com o som a transforma no exemplo visual daquilo que é apreciado por nossa audição. Se, porventura, optar por ignorar as modificações sonoras que lhe são oferecidas, sua apresentação se tornará homogênea e linear, e possuirá poucos atrativos para segurar a atenção dos espectadores. A previsibilidade de seus movimentos nunca será um fator de atração, mas de dispersão.
Muitas vezes podemos perceber uma grande diferença de estilos ligada à personalidade de cada bailarina. Uma pessoa com alta sensibilidade e dotada de gosto pelo sensorial terá uma dança mais calma e delicada, seu objetivo ao dançar, provavelmente, estará conectado à necessidade de expressar sentimentos mais profundos. Pessoas fortes e voluntariosas tendem a um estilo assertivo e gosto por músicas mais suntuosas ou marcantes, demonstrando sua imposição e energia e favorecendo a visão do poder durante as apresentações.
Logo, percebemos que "não é possível brincar com fogo sem se queimar!" Para atingir o equilíbrio, devemos nos lembrar que, em primeiro lugar, antes de nosso estilo pessoal, os humores de nossa apresentação devem ser ditados pela música que nos guia e não por nosso gosto individual. Claro que cada uma de nós terá uma forma única de dizer o mesmo, mas sempre respeitando a intenção do compositor que criou a peça.
Dentro de uma música clássica, por exemplo, as falhas de dinâmica soam absurdamente claras. São peças criadas de forma diferenciada, com um número maior de instrumentos e, consequentemente, com mais riqueza de possibilidades para a executora-bailarina. Cabe a nós a preparação necessária para poder aproveitar tudo o que a música nos oferece.
Normalmente, uma obra clássica tem muitos momentos diferentes, alguns suntuosos, outros melancólicos e dramáticas finalizações. Cada um deles convida para uma interpretação única. Para estarmos tranquilas durante a leitura dessa música, não podemos ter dúvidas básicas sobre técnica ou ritmos. Um repertório rico em passos e variações é solicitado, e nosso corpo responderá automaticamente aos estímulos que o som oferece.
A Dança é viva
A dança é uma arte viva e, portanto, muda como você, a cada ano. Ao adquirir novos conhecimentos ou passos, tudo se altera, incluindo a forma como se trabalha a dinâmica.
Sendo a dança uma forma de expressão sensível, ela é permeável a suas próprias flutuações de humor. Tudo pode influenciar em sua dança. Sabendo disso antecipadamente, vale a pena preparar-se. Queremos dizer, nos momentos em que a fragilidade se instala, você terá outros instrumentos para proteger a dança, se esta for sua opção profissional. Se você for bailarina profissional, não há como fugir da raia. Os grandes auxiliares nestas situações são o conhecimento técnico e a experiência de palco. Assim munida, pode enfrentar um dia complicado apresentando a mesma qualidade de dança que oferecería se tudo estivesse bem. Por dentro, você pode até saber que aquilo não foi o melhor, mas o público nunca perceberá.

O Deslocamento Espacial
Ter noção do espaço parece simples, mas não é.
O que faz com que um gato passe numa fenda pequena de um portão? Seus "bigodes" indicam o tamanho da fenda a ser atravessada. Cortando-os, você tira-lhe toda a noção espacial. Esses pequenos fios garantem tamanha precisão, que o cálculo é feito em fração de segundos, enquanto ele está correndo, por exemplo. Então ele pula e passa de forma astuta.
Deslocar-se requer mais que técnica e elegância. Requer criatividade! De posse dessa noção espacial, você executa as evoluções no momento certo e no lugar certo. Permita que todo o público possa apreciar sua apresentação e não apenas uma parte dele. Privilegiar apenas um segmento de espectadores é uma das grandes falhas encontradas nas apresentações. Nunca desmereça uma fração de seu público. Seus olhos devem estar atentos a cada ponto de sua área coreográfica, seja ela uma sala ou um palco. Acostume-se a medir, com os olhos e a sensibilidade do corpo, o espaço a sua volta.
Muitas vezes dançamos perto das pessoas. Nossa sintonia fina deve, ao menos, pressentir até onde podemos nos aproximar sem tornar inconveniente a pequena distância entre esses pontos. Como passear entre as mesas, quando numa festa os convidados estão dispostos dessa forma? Como nos livrar de alguém que já bebeu um pouco além da conta e esqueceu que não é um rei ou um paxá? Como medir o tempo certo de olhar, sem intimidar ou criar constrangimento?
O deslocamento bem trabalhado nos oferece liberdade de movimentação e elegância para fugir de situações embaraçosas sem dar o mínimo indício de desconforto a quem quer que seja, em especial às mulheres presentes.

Giros e Eixo de Equilíbrio
Os giros executados na dança estão diretamente ligados a seu "eixo de equilíbrio". Pessoas que não têm esse eixo desenvolvido perdem a noção enquanto estão girando e acabam saindo do ponto onde estão pisando, pendendo para os lados. Durante os giros, é necessária a elegância e a simetria dos braços e pernas. Quanto mais impecáveis eles forem, maior a facilidade dos giros.
A noção de eixo central é sempre trabalhada em dança acadêmica, não importa a área escolhida: ballet clássico, moderno, contemporâneo ou jazz. O giro sempre está presente em cada uma das vertentes da dança.
Se você tem uma professora ativa e habilidosa nos giros, pode solicitar-lhe ajuda no desenvolvimento de sua própria habilidade. Se esse não é o seu caso, procure por uma escola de ballet conceituada e entre na classe de iniciantes. Com certeza o desenvolvimento dessa técnica irá lhe auxiliar no reconhecimento de seu centro de equilíbrio e favorecerá diversas facetas existentes na dança oriental. Dentro do trabalho com véus, por exemplo, os giros são fundamentais. Para os deslocamentos, são essenciais.

A Emoção
Paralelo a tudo o que foi dito até agora, corre a emoção. A expressão de seus sentimentos dentro da apresentação não acontece apenas pelas "caras e bocas", ou pelo famoso "sorriso automático" estampado no rosto.
Deixando de lado regras pré-concebidas e formatadas, o caminho da expressão dentro da dança se passa " dentro de você". Se você não se permite "sentir", não haverá espaço em sua arte para expressar a sua emoção.
Ao acontecer a entrega, estabelece-se uma ligação entre o público e aquela que dança.
O significado dessa interação é difícil de ser explicado, mas traz algo mágico. Por alguns instantes não existe divisão entre nós. Cada bailarina sentirá de uma forma diferente o impacto dessa comunicação sensível, mas temos certeza de que a "marca emocional dessa conversa musical" deixará lembranças em todas elas.
Por vezes, o caminho para a entrega emocional será propiciado pelo instrumento solista dentro de uma música: um violino triste e angustiado, o som de uma flauta suspirando e chamando por alguém, um choroso alaúde dedilhando interminavelmente acerca da tristeza do amor perdido. Estimule sua sensibilidade ouvindo música, tente absorver as impressões deixadas por ela em você. Que instrumento lhe inspira mais, qual lhe provoca tristeza, qual lhe convida para o silêncio?
Fuja da superficialidade, mergulhe dentro dos sons e imagine que seus movimentos devem ser a forma visual daquilo que ouve.
"Qual o encanto que exerce uma ópera?" Cenário, luz, figurino, uma orquestra primorosa, os cantores líricos impecáveis e tudo preparado para oferecer uma viagem sonora e visual para o público: uma estrutura enorme e perfeitamente orientada para falar direto ao nosso coração. Quando você menos espera, a ópera introjetou o sentimento em você.
Guardadas as devidas proporções de grandiosidade e riqueza, deve-se preparar tudo, única e exclusivamente, para fazer vir à tona alguns segundos de emoção. Apenas estes instantes fazem valer sua noite ou seu final de semana. Serão lembrados para sempre e, provavelmente, não se apagarão de sua memória.
Lembro-me de um momento pessoal... Estava eu no Teatro Municipal de São Paulo para assistir a uma ópera sobre uma saga grega: Xerxes. Isso aconteceu há mais de 15 anos e, para mim, parece que foi ontem. Se fecho os olhos, ouço novamente o tenor que representava Xerxes, sua voz preenchendo o teatro, fazendo meus olhos encherem-se d'água. Aquilo foi tomando uma proporção dentro de mim que, por um instante, sentia que iria transbordar completamente em prantos... de felicidade! Compreende o sentido da emoção? Ela vai provocar você durante milhares de vezes na vida, esperando sua reação.
Quanto mais suscetível às emoções, mais aguçada será sua sensibilidade. Quanto mais emoção a bailarina tiver dentro de si, quanto mais profunda sua entrega, o jogo eterno das emoções fará sua parte. E você não será mais uma bailarina, mas sim uma mensageira da arte e da sensibilidade. Alguém que oferece vida através de movimentos e beleza.

A Expressão Facial
"O rosto é o retrato da alma."
Como traduzir expressão facial? Não é algo que se ensine em sala de aula. Podemos dizer que a expressão do rosto é decorrente da emoção. O que você sente ao dançar pode ser visualizado pelo público através de seu rosto.
Seus olhos podem denunciar qualquer coisa que esteja passando por sua cabeça no momento da dança: insegurança, medo, indecisão, tranqüilidade, força e afetividade. A incontável lista de possibilidades está guardada em sua face para dramatizar ou comunicar a quem lhe vê e mostrar a forma como você recebe a música.
Desenvolva, devagar e sem pressão, essa parte da dança. Procure no som as pistas para sua expressão. Que sentimentos brotam ao ouvir determinada canção? O que lhe diz sua intuição e sensibilidade?
Um repertório musical sempre renovado e atual é o melhor estímulo para a diversidade. Acostume-se a ouvir diversos estilos de música, aprecie as diferenças, descubra os pontos mais importantes de cada grupo musical e procure, através das similaridades e dos detalhes diferenciados, desenvolver uma leitura pessoal para cada um dos estilos.
Como seria ter que dançar a mesma música por anos e anos? A renovação é necessária para as células e para o cérebro. Enjoou? Guarde o CD até sentir saudades da música. Não a use por falta de opção. Mude suas músicas constantemente para renovar sua emoção.

Presença de Palco e sua Finalização
A noção de palco, só o tempo vai lhe conferir.
No começo de nossa experiência como bailarinas, geralmente o palco nos apavora, e saber que há público sedento de apresentação se parece mais com um pesadelo que com um sonho.
Em primeiro lugar, tome seu espaço e acredite no direito de utilizá-lo. Seja qual for o lugar oferecido para que sua dança aconteça, as pessoas que lá estão aguardam exatamente por isto: uma bela apresentação de dança. De certa forma, elas estão preparadas para receber o que será oferecido e estão influenciadas positivamente para assistir ao espetáculo. Tudo o que você tem a fazer é relaxar e mostrar o que organizou para o momento.
Lembre-se de olhar e se dedicar a todo o público. Quando dizemos isso, é para informar que seus movimentos deverão ser direcionados, de forma equilibrada, para todos os lados que tenham olhos direcionados a você. Não se esqueça de um pedaço da sala ou do teatro apenas porque parece menos cheio ou animado. Cada pessoa presente merece sua atenção de forma igualitária e sem predileções aparentes.
A finalização deve ser absolutamente precisa. Qualquer engano a esse respeito retira grande parte de sua força dramática.
Imagine sua apresentação como uma história que tem começo, meio e fim. Você se interessaria por ler ou ouvir uma história que não termina? Da mesma forma é a sua dança: o final coroa tudo o que aconteceu antes. Ele é a chave que fecha, de fato, a porta que se abriu aos primeiros acordes da música. Recordando sempre a fidelidade que devemos à música. Nosso corpo deve encerrar em forma de movimento as impressões sonoras que são recebidas.
Termine junto com a música, nunca antes ou depois. Seu ouvido deve ser estimulado com os mais variados sons e, principalmente, com os acordes finais.
Tranqüilidade e segurança em cena
É perceptível, mesmo para o leigo, a insegurança da artista numa dança. Seja num olhar de soslaio ou de dúvida, num passo sem a medida certa e a percepção deste, ou na indecisão dentro de uma sequência. Para adquirir segurança, uma de nossas metas passa pelo domínio técnico.
De certa forma, a tranquilidade estará sempre ligada a ela. O conhecimento adquirido com estrutura propicia a calma necessária para sua permanência despreocupada em cena.
Ter um estudo baseado no improviso também ajuda, e muito, seu desenvolvimento. Trabalhando alerta e sem imprimir força desnecessária em seus passos, oferecendo variações que fluem naturalmente e obedecendo às nuances propostas na música, seu caminho nasce sem esforço e tudo acontece como parte do todo. Você e a música passam a ser uma coisa só.
Não se esqueça do que foi mencionado acima acerca da dinâmica: dançar tranquilamente não significa dançar de forma tediosa.
Hoje em dia, no Egito e Líbano por exemplo, praticamente todas danças são coreografadas. Pessoalmente, sempre fui um pouco reticente com relação à criação de seqüências fixas para apresentações, mas existem alguns fatores que devem ser levados em consideração. Um deles seria o caso específico de um show de uma hora ou mais que se repete 6 vezes por semana. Nesse caso, vale a pena preparar um programa fechado que garanta a qualidade de sua performance, mesmo quando você não vive um de seus melhores dias. Quando sua vida profissional é baseada em apresentações curtas, existe maior liberdade de ação e a opção pelo improviso dirigido parece muito mais estimulante do que a simples execução de coreografias prontas.
Para mim (Jorge), coreografias limitam a emoção. Você não pode dar o melhor de si numa música que já dançou exaustivamente em ensaios. Torna-se maçante e artificial para você. Pense no caso de Mick Jagger cantando "Satisfaction". Ele já faz isso exaustivamente desde o início dos anos 60. Você acha mesmo que ele canta com "satisfação"? Tem que cantar, pois pedem, mas para o artista, a emoção já se diluiu há muito tempo. O que existe é uma coreografia cênica, uma improvisação dirigida.

Improvisação Dirigida
Chamamos de improvisação dirigida o estudo detalhado de uma música, com diversas repetições práticas de dança ligadas à música escolhida. Depois de algum tempo estudando, você treina suas reações de acordo com cada flutuação que se apresente, e seu corpo reage adequadamente aos momentos, diferenciando a apresentação em harmonia com os sons que se apresentam.
De certa forma, a intimidade com a música lhe oferece calma e tempo para definir o que usar e quando. Os momentos dramáticos e cruciais já estão marcados dentro de seus ouvidos e, de posse desse conhecimento, poderá escolher entre diferentes opções de passos, previamente testados, aquele que lhe parece mais apropriado. O fato de ter tentado outras vezes dançar a mesma peça, enriquece seu repertório de variações. Assim, mesmo dançando a mesma coisa mais de uma vez, estará apta a oferecer uma versão fresca, de acordo com suas emoções naquele exato instante.

Aspectos importantes para um bom resultado em cena:

· Feminilidade claramente assumida. Não se esqueça, ao dançar, que o charme é fundamental na dança oriental. Não há mal algum em exercitar sua delicadeza e elegância em cena. Toda mulher possui dentro de si facetas nascidas em diferentes fases da vida. Em princípio, essas variadas expressões deveriam ter espaço dentro de nossa dança para se manifestarem livremente. Dessa forma, em algum momento visualizamos a mulher, em outros uma menina: diversas faces pertencentes a apenas uma pessoa. Quando assumimos nosso papel feminino de forma ampla e verdadeira, não corremos o risco de ofender ninguém. A sensualidade presente na dança faz parte de sua natureza e, se bem direcionada, não agride nunca.
· Cuidado esmerado com seu traje e produção visual. Não se iluda ao pensar que os pequenos defeitos em sua roupa não serão notados, e que aquela lantejoula faltando passará despercebida. Como bailarina, você alimenta o público de diversas maneiras. Todos os sentidos são estimulados por meio dos sons, das cores, do perfume que usa ao dançar, de sua roupa, e de sua aparência. Tudo faz parte do contexto. Cuide com esmero de seu visual. Não temos que ser magras como uma top model. Entretanto, nem mesmo no Egito, que no passado tinha predileção por bailarinas generosas em suas curvas, essa posição é mantida. Atualmente, há preferência por corpos mais delineados, ainda que longe dos padrões espartanos das modelos internacionais. Convém pensar a esse respeito. Toda profissão tem suas exigências; a nossa não é diferente.
· Conhecimento de folclore. Toda tradição traz consigo grandes riquezas, e isso não se modifica na dança oriental. O folclore dá um colorido especial a sua dança e funciona como elemento surpresa em suas apresentações. Dentro de um show longo, por exemplo, a apresentação folclórica cria momentos especiais e leves, dando a chance de alargar a visão do público acerca dessa arte.
· O trabalho com os véus. Apesar de a utilização prolongada de véus na dança não fazer parte das tradições dos países árabes, é difícil deixar de lado esse elemento tão cenicamente mágico. Como todas as outras possibilidades presentes na dança, o uso dos véus depende de treino e apuro técnico: como utilizá-lo em suas entradas e saídas de cena, que força imprimir para obter o melhor resultado, qual a velocidade exata para criar o efeito que transformará a dança em sonho. Em nossa opinião, o véu também desempenha um papel fundamental entre a saída de uma bailarina e a entrada de outra. Levado pelos movimentos sinuosos e envolventes do véu, o público se distrai e apaga, momentaneamente, a imagem da bailarina anterior, limpando a memória para receber a próxima performance.
· Agilidade e técnica de quadril para percussão e partes lentas. O quadril, dentro da dança oriental, tem o papel fundamental de ler a música em todas as suas variações. Não importa se num momento o instrumento solista é o alaúde e, num outro instante, o que se pede é a leitura dos ritmos ou frases de percussão. Tudo é essencial e não temos como ignorar um aspecto em detrimento de outro. A evolução dessa parte da dança se dá de forma gradativa e cresce na mesma medida em que o estudo se aprofunda, tanto em termos musicais quanto técnicos. O aprendizado vai abarcar diversas áreas na busca do domínio de nosso corpo. Precisamos sentir o que fazemos, pois o caminho desse domínio passa pela compreensão. Não há atalho mais curto para se aprender: o único jeito que conhecemos se traduz em aulas, prática e perseverança.
· A simetria dos braços e elegância das pernas. Os braços são a moldura de sua dança. Se bem colocados, ninguém nota sua presença; mal colocados, estragam todo o resto. Pense neles como as molduras dos quadros: o mais importante é a pintura, mas nenhuma obra de arte que se preze é colocada em exposição sem uma moldura apropriada. Experimente o estudo das formas com um espelho que lhe ofereça a dimensão de seus desenhos. Nesse caso em especial, o espelho é um ajudante maravilhoso. Seus olhos crescem em técnica antes de seu corpo; portanto, confie em seus parâmetros visuais. Se olhar para o espelho e não gostar do que vê, pode ter certeza de que algo está muito errado. Deixe-se levar por seu senso estético, pois, nesse caso, ele é tudo o que você precisa.
A simetria dever ser observada a fim de garantir harmonia e apuro na visão de sua dança como um todo. A movimentação assimétrica e descuidada revela falta de limpeza e tira a concentração do que é mais importante. É incrível como os pequenos erros se tornam enormes quando nos apercebemos deles. Se puder evitar esse desconforto, para que conviver com ele?
No que diz respeito às pernas, seu bom senso também é chamado ao serviço. Dançar com as pernas abertas demais prejudica terrivelmente sua linha e a execução dos passos. Com distância entre os pés seus esforços se multiplicam e não há garantia alguma de alinhamento. O equilíbrio também está ligado à forma como as pernas trabalham durante a dança. Essas constatações, por si só, já são um excelente motivo se tomar o devido cuidado.
Hoje as roupas oferecem mil possibilidades para exposição das pernas. Algumas bailarinas preferem ser discretas e usam roupas completamente fechadas, outras abusam das aberturas e chegam a causar polêmica com a ousadia dos modelos. Cabe a cada uma de nós exercer escolhas de acordo com os parâmetros que temos a nossa disposição. Dependendo do evento e do público para o qual vamos nos apresentar, podemos variar nosso figurino. O gosto pessoal também interferirá na seleção. De qualquer forma, nenhum tipo de figurino poderá esconder os defeitos decorrentes de má postura ou colocação errada das pernas.
A sensualidade presente na dança deve andar lado a lado com o noção de estética e bom senso. A beleza natural pode e deve ser mostrada.
Em cada país encontraremos um padrão diferenciado. No Egito, temos todos os tipos de exemplo, desde os figurinos mais modernos e nada parecidos com o que chamamos de "traje típico" até os mais tradicionais, que nos fazem lembrar os filmes das décadas de 40 e 50.
Posicionamento e uso dos joelhos
Mantenha suas pernas próximas e, no caso de deslocamentos, dê preferência ao uso de meia ponta alta. Esses cuidados fornecer-lhe-ão maior agilidade e garantia de uma movimentação delicada e elegante.
Outro cuidado que deve ser lembrado diz respeito ao posicionamento de seus joelhos durante a dança. Eles não devem se manter flexionados, pois essa colocação não lhe auxiliará em quase nada. Servirá apenas para colocar mais força sobre a articulação dos joelhos e oferecerá um esforço adicional e desnecessário para essa região.
O desbloqueio do quadril está relacionado ao controle de movimentos pequenos e delicados e à habilidade de fazer trocas de peso alternadas, e não ao uso de força e à imposição de grandes desenhos para clarear o que está sendo feito.

Musicalidade
Como definir musicalidade? Para a bailarina ser musical, poderíamos dizer, por exemplo, que sua dança deveria ser harmoniosa. Com o que estabelecer esta harmonia? O som é nosso caminho, apenas ele pode determinar a ordem, velocidade, humores e nuances de nossa execução.
O ritmo nasce conosco e está presente em nossa vida de forma natural. Nosso coração tem um ritmo próprio que se alterna de acordo com as experiências que passamos. Nossa respiração também obedece a estímulos externos, mas se mantém em níveis pré-determinados a fim de garantir a oxigenação necessária ao bom funcionamento do organismo. Com o ritmo musical não poderia ser diferente.
Dentro da dança, essa divisão marca nossos passos e mudanças, definindo finalizações de frase e troca de humores. A qualidade como bailarina passa pelo crivo da musicalidade. Sendo eficiente na leitura sonora do que é proposto, pode-se libertar para sentir o que é dançado. Um pianista não tem o direito de alterar, só por gosto pessoal, o andamento de uma peça escrita há anos. Ele deve seguir o que está sendo solicitado pela partitura. Assim também é conosco, bailarinas. Se a música pede deslocamento, devemos responder com ele; se ela passa por um instante melancólico, que assim o seja: usaremos nossa capacidade dramática para expressar a melancolia contada no som.
Se pudermos usar essa sentença como guia, creio que estaremos suficientemente inspiradas para todo o necessário no desenvolvimento de nossa musicalidade.
O estilo pessoal: sua marca registrada na dança
O seu estilo pessoal depende de tudo o que já viu, ouviu e sentiu até hoje, desde o início de seu contato com a dança. Vemos o desenvolvimento de sua "marca", como a consequência esperada de seu crescimento e maturidade profissional.
Devemos observar profundamente todas as grandes bailarinas que se desenvolveram antes de nós. Cada uma delas terá um papel fundamental em nossa formação. Algumas serão nossas musas inspiradoras, outras a perfeita indicação do que não queremos para nossa própria trajetória. Cada uma dessas mulheres desempenhou um papel dentro do cenário de dança e transformou a própria vida, assim como transformamos a nossa.
Ao copiar grandes bailarinas, estudando seus diferentes estilos e formas pessoais de variação, desenvolvemos novas possibilidades. Num primeiro momento, tentamos realmente duplicar aquilo que vemos no vídeo ou em aula. Estudamos até que a qualidade de nosso movimento se aproxime daquela que foi nosso motivo de estudo. Isso, por si só, já é um árduo caminho. Depois de algum tempo você perceberá que aquele passo foi incorporado a seu repertório de movimentos e adquiriu características levemente diferenciadas. Nesse momento, seu estilo pessoal está nascendo.

Fonte de pesquisa: Jorge Sabongi - Novembro 2002 – site Khan El Khalili.



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