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sábado, 29 de dezembro de 2012

SOLO DE TABLA ÁRABE ( O TACKSIM )


Destinado em sua totalidade para execução das danças árabes, o solo de Tabla Árabe possui alto grau de importância dentro da esfera do Middle Easter (Oriente Médio). Veremos que existem solos específicos para ocasiões específicas. Obviamente, é praticamente impossível falarmos de percussão árabe sem fazermos alusão à Dança do Ventre. Percussão e Dança do Ventre estão intrinsecamente ligados, e é por isso que comumente vemos bailarinas que também são derbakistas.
Em verdade toda bailarina é intuitivamente uma percussionista, justamente tanto pelos Snujs, amplamente tocado nas danças, quanto pela necessidade de se familiarizar com os ritmos árabes para bem executar a arte da dança .
Feita essas considerações, façamos agora uma pergunta: O que uma Bailarina de Dança do Ventre espera de um solo de Derbake ? Obviamente que seja riquíssimo em ritmos e variações para que ela possa mostrar seus conhecimentos na arte da Dança. Dessa maneira, o percussionista tem a responsabilidade de fornecer subsídios à bailarina para que esta assim possa se apresentar . É por isso que corretamente vemos expressões pontificando a necessidade de uma perfeita sintonia harmoniosa entre percussionista e bailarina. O problema é como e de que forma fornecer tais subsídios.
Existem algumas regras básicas que um percussionista deve ter em mente para apresentar um belo solo de Derbake.
Primeiramente deve-se evitar abusos em enfeites que devem sempre ser realizados em momento oportuno. Isso vale tanto para um solo de derbake, como para um acompanhamento musical.
Deve-se prestar atenção no compasso inicial de seu solo. É muito comum observar percussionistas que iniciam um determinado solo e gradativamente vão aumentando a velocidade inicial. Geralmente tal erro acontece com quem abusa nos enfeites.
Tocar de forma muito acelerada também é um erro bastante comum e grave. Criou-se erroneamente, um certo dilema que todo bom percussionista árabe é aquele que toca com extrema rapidez. Na realidade, o bom percussionista árabe é aquele que toca conscientemente, sentindo a sua percussão e passando nela sua emoção que será transmitida de imediato à Bailarina que estiver se apresentando sob tal solo.
Formas de Solo:
Todo solo de Tabla Árabe é fruto de uma improvisação criada exclusivamente pelo percussionista. É o que chamamos de Taksim Tabla, ou seja, uma improvisação "melódica" feita através das batidas rítmicas da Tabla Árabe.
Existem duas maneiras de se apresentar um solo de Taksim: O Taksim solo sobre ritmos e o Taksim solo livre.
O Taksim sobre ritmos árabes é a improvisação realizada tendo como base um determinado ritmo ou vários ritmos, feito por um segundo instrumento ( Tabla, Riqq, Dohollah, Mazhar, etc ). Curiosamente, esse tipo de solo limita os movimentos da Bailarina ao ritmo base. É por isso que essas composições devem apresentar uma pluralidade rítmica sob pena de se transformar em algo monótono, com improvisações repetidas e cansativas.
O Taksim sobre ritmos é utilizado tanto nas apresentações de uma Bailarina quanto num grupo, durante apresentação coreografada. Neste caso, deve-se diminuir tal pluralidade rítmica, para não se potencializar grandes complexidades.
 
Já o Taksim solo ou improvisação solo é aquela realizada somente pelo percussionista não tendo como base nenhum ritmo. Impera grande complexidade onde percussionista e bailarina devem estar em perfeita sintonia. Inúmeros ritmos e variações são apresentados em um curto espaço de tempo, mesclados por vários enfeites improvisados.
 
Fonte de pesquisa: Vitor Abud Hiar.

O que é Tarab?

Muita gente ainda confunde o Tarab com rotina clássica oriental. Mas me parece que as pessoas estão aprendendo a distingui-los agora, o que é ótimo! As rotinas clássicas tem uma estrutura bem clara: introdução, entrada, cadenciamento, taqsim, folclore, percussão e finalização; e quase nunca é cantado. Tá cheeeeio de blogs ensinando isso.

Quando se aprende o que é Tarab, se percebe claramente essas diferenças. Oum Khoulsoum é a cantora mais conhecida por cantar tarab. Tarab é poesia cantada. Podem ser músicas muito maiores que as rotinas clássicas, com introduções de 10 até 30 minutos! Claro que nós, bellydancers, não faremos isso com nosso público, mas ao cortar as músicas, é importante saber como cortar. Por isso, a importância de se conhecer a estrutura e a letra da música.

Tarab não sugere grandes deslocamentos; sugere muito shimmie, redondos e ondulatórios, pouco braço e muita, muita emoção e interpretação da letra. O taqsim é bastante presente, principamente como a voz do cantor. Pode cantar a música à vontade!!! Tarab é totalmente egípcio, logo, esse estilo reinará certamente.
Tarab é um tipo de música que emociona demais os egípcios. Logo, em uma plateia com muitos árabes, dance com bastante emoção, procure saber a letra da música e se entregue. Você não precisa usar seu estilo "50 passos em um minuto". No tarab, a tranquilidade e o sentimento prevalecem. Por que não experimenta fazer os outros chorarem com sua performance? Tenho certeza que você nunca mais será esquecida!

Fonte de pesquisa: Multiply Hanna Aisha.

Palavras usuais no mundo "Bellydance"!


Reuni aqui palavras diversas relacionadas à música, à dança e à cena da dança árabe propriamente dita. Algumas palavras aparecem frequentemente nas músicas que dançamos, por isso achei interessante disponibilizar a tradução de algumas delas. Também alguns nomes importantes na história da dança e alguns instrumentos musicais mais recorrentes aparecem aqui. É apenas um sumário sintético, certamente há muito mais o que explorar.

Ahlan ua sahlan - Seja bem-vindo.

Aiuny - "meus olhos"

Albi - "meu coração"

Almeh - (plural: awalim) Certo grupo de mulheres talentosas, estudadas, que dançavam e tocavam para entreter.

Ana - "eu"

Asmarani - "morena"

Assaya - bastão. Raqs al Assaya designa a dança do bastão.

Baladi - Literalmente, "meu país". Diz-se também de tudo que é "de raiz", com apelo popular; também o nome de um ritmo.

Bedlah - Roupa tradicional de palco: soutien, saia e cinturão bordados.

Dabqe - Dança folclórica do Líbano e da Síria, que se dança em roda, de mãos dadas, marcando o ritmo com os pés. Na ponta da roda, uma pessoa, em geral, a mais sênior do grupo, dá a direção e segura um lenço.

Daff - instrumento musical de percussão semelhante a um pandeiro.

Derbak, dumbek, darbuka - Instrumento de percussão que dá a base do ritmo. Tradicionalmente de cerâmica e pele de bode ou peixe, tem atualmente corpo de metal e couro sintético.

Dina - Bailarina egípcia contemporânea, polêmica pelas roupas cênicas "ousadas".

Falahi - "do interior"; também um ritmo acelerado, que faz, muitas vezes, par com o saidi.

Ghawazee - (singular: ghazeia) dançarinas populares; usa-se muito para designar as ciganas egípcias, talvez porque elas também se apresentassem como dançarinas.

Habibi - "meu amor"

Halewa - "doce", "doçura"

Hayat - "Minha vida"

Hob - "amor"

Jamila, gamila - "bela".

Khaligi - Dança folclórica de países do Golfo Pérsico, como Kwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes; O ritmo mais utilizado na música khaligi, o Soudi, também é chamado khaligi às vezes.

Layeli - "Noites"

Maqam - "tom". (plural: maqamat) Masri - "egípcio" Mawal - Parte vocal de uma música, geralmente introdutória, bastante melismática.

Melaya Laf - "lenço enrolado". Também a dança teatralizada de uma situação cotidiana egípcia: a mulher que dança com a melaya, um pano preto, pesado, com o qual envolve o corpo.

Mizmar - Instrumento de sopro, feito de bambu, muito utilizado no saidi. Membro da família do oboé, produz um som fino, estridente.

Nar - "Fogo"

Nay - Instrumento de sopro também de bambu, produz um som aveludado. Muda de tom conforme o tamanho.

Nur - "Luz"

Om Kalthoum - cantora egípcia da metade do século passado, muito respeitada em todo o mundo árabe. Canta geralmente músicas dolorosas. São dela músicas como "Enta Omri", "Ana Fi inti Zahrak", "El Hob Koulou", "Lylet Hob", etc.

Oud - alaúde (indica uma "viga de madeira"), instrumento introduzido pelos persas ao mundo musical árabe,que posteriormente o difundiram pela Europa. Qamar - "Lua". Popularmente, omite-se a letra "qaf" das palavras, de modo que é igualmente correta a escrita "amar", como em Mustafa Amar.

Qanum - Espécie de harpa de Madeira em que o som é produzido ao se puxar suas cordas.

Rababa - Instrumento utilizado no saidi, que possui uma ou duas cordas.

Raqs - "Dança

Raqs al Nasha'ar - Dança do golfo, khaligi

Raqsa - Bailarina

Rash - "jorrar". som emitido pelo derbake pelo movimento rápido dos dedos diretamente sobre a pele, cuja repercussão no corpo da bailarina são os tremidos.

Sagat - snujs.

Saidi - Designa as pessoas do sul do Egito; dança folclórica egípcia; nome de um ritmo.

Samia Gamal - bailarina contemporânea de Taheia Carioca, responsável por introduzir na dança movimentos do ballet clássico, como giros e meia ponta. Em cena, fazia par com o cantor druso Farid al Atrache.

Shamadan - "candelabro"; raqs al shamadan; dança do candelabro.

Shams - "sol"

Shoof - "Olhe!"

Suher Zaki - Bailarina egípcia famosa entre fins dos anos de 1960 e início dos anos oitenta. Considerada a "dama" da dança árabe, sua figura é respeitada ainda hoje. Foi a primeira a adaptar as músicas de Om Kalthoum para a dança.

Tabla - Percussão.

Taheia Carioca - bailarina egípcia do início do século passado, foi uma das primeiras a dançar comercialmente e é considerada uma das maiores de todos os tempos.

Taqsim - "Improviso". Elemento solo da estrutura musical árabe. O taqsim é geralmente executado por um instrumento de corda (qanum, violino) ou sopro (nay, mizmar). Apesar de o solo de derbake encaixar-se na "definição" de taqsim, não é considerado como tal.

Tarab - indica a comunicação perfeita entre a voz e a melodia. É chamada tarab a música clássica em que os versos são repetidos várias vezes, entremeando frases musicais, etc. Lissah Fakir, da cantora Om Kalthoum, é um exemplo de Tarab.

Tribal - estilo de dança norte-americana que procura fundir elementos de várias outras danças, como flamenco, danças indianas e fragmentos de danças grupais do magreb, como a guedra. Não se trata de uma dança árabe, mas uma proposta de uma dança inédita, ainda que conservando parte das outras tradições.

Zaghareet - indicando alegria em ver algo belo.
 
Fonte de pesquisa: Elisabeth Moro.
 
 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Falando sobre o Daff!!


Segundo Vitor Abud Hiar, o pandeiro árabe pode ser considerado o pai do pandeiro moderno ocidental. Alguns estudiosos acreditam que ele seja uma derivação do instrumento bendir - pandeiro beduíno sem címbalos para a composição do ritmo Mesarfe Shabi - assim como é o mazhar. No Líbano o pandeiro árabe é conhecido como daff, e no Egito como Riq (nome mais usado mundialmente). Eu sinceramente me habituei a chamá-lo de daff!



O pandeiro árabe é composto por um corpo de madeira revestida por madrepérolas, revestimento de pele de carneiro ou peixe, e um conjunto de cinco címbalos duplos. Existem alguns pandeiros que utilizam material sintético no revestimento, devido à fragilidade do pandeiro com a umidade do ar, porém seu som não oferece as mesmas variações que um feito de forma original. No Egito todos os riqs são feitos à moda antiga, por isso são considerados os melhores.

Por possuir uma vibração curta, com sons agudos e secos, o daff é chamado de "pandeiro tenor". A sua utilização é um sinônimo de "ostentação", pois é ele que dá corpo e revelação ao ritmo, compondo frases rítmicas não possíveis para um derbake. Vitor Abud Hiar dá dicas de como explorar estas frases no momento mais oportuno:

1 - É necessário conciliar o som agudo dos címbalos com o som seco do revestimento, ou seja, não somente se deve "tirar o som" do daff, mas individualizar e harmonizar os dois sons que se produzem dele.
2 - O daff pode ser utilizado, basicamente, de 3 formas: utilizando todos os címbalos e a membrana de couro; utilizando parte dos címbalos e a membrana de couro; e utilizando apenas a membrana de couro... Parece meio óbvio, mas conforme as coisas complicam a gente percebe o porquê dessa distinção!
3 - O dum, a batida grave do daff, pode ser produzido somente tocando a membrana do instrumento com o indicador ou então no címbalo próximo ao dedo anular juntamente com a membrana.
4 - Para se tocar o címbalo existem 4 formas: tocando-o preso; tocando-o solto; repique trigêmeo; e repique comum. O repique é o balançar mesmo!
5 - Existem dois movimentos básicos para se tocar o daff: o 1º utiliza menor intensidade (os sons tá e ká) e o repique dos címbalos. O 2º também é utilizado para variações de menor intensidade e forma ritmos como o baladi (Dum Dum tá ká Tá Dum tá ká Tá tá ká Dum Dum...)
Assim, o daff é basicamente utilizado dessa forma:
Dum: Dedo indicador no revestimento. No centro, esse dum seria mais seco e com pouca vibração, sendo mais utilizado no ritmo Cifteleli.
Ká: Batida na borda do daff com o dedo médio
Tá: Batida no címbalo com o dedo anular.

Ah sim, dançarinas, não se preocupem em aprender a tocar e a dançar!! O pandeiro árabe é um acessório na dança do ventre, mas não é o mesmo daff de um profissional! Ele, na dança, tem apenas caráter simbólico, sendo mais pesado e com címbalos com menor sonoridade.
Para quem quer aprender a tocar - Eu!!!! - é importante ter cuidados especiais com seu querido instrumento. Nesse caso é importante hidratar com creme o revestimento: cinco gotinhas são suficientes! E também evitar expô-lo ao calor excessivo! No demais, é só ter carinho e dedicação, que ele será de muita serventia!


Fonte de pesquisa: dançadoventrebrasil.

Como cobrar cachê?


Você foi convidada pra dançar numa festa e vai cobrar um cachê. Vai dançar só uma música mesmo. Provavelmente, uma grande clássica com entrada com véu, uns 20 arabesques e os frufrus e tremidinhos de sempre que o povo gosta de ver.



Ok. Tudo acertado, mas na hora de cobrar o cachê, você se baseia em quê?
Dia desses passei por uma experiência dessa e confesso ter ficado cheia de dúvidas. Veja só, a gente não vai dançar com unha sem fazer, nem cabelo sem ajeitar, ok?

Então, façam as contas comigo: só no salão, ficam 50 reais. E nem estou levando em conta a depilação, porque senão, o preço ainda é maior.
Bom, daí calcule uma porcentagem de auxílio-maquiagem, afinal, a gente já tem a nossa maletinha pronta, mas quanto precisamos investir ocasionalmente para nos mantermos com produtos bacanas e indispensáveis na maletinha de odalisca?

Eu, pelo menos de 2 em 2 meses, compro uma sombra nova ou um rímel diferente… é um investimento que não tem fim.
Além disso, se a gente fosse levar tudo na ponta do lápis, iria pensar no valor dos nossos figurinos (incluindo o véu de seda) e do investimento que fizemos durante anos de aulas e workshops.

Agora, pensem comigo.
Se a gente fosse cobrar como cachê um valor justo, que pagasse todo esse arsenal, quem iria querer/conseguir pagar?
E é nessa hora que me pesa essa coisa de cobrar pra dançar… se a gente cobra um valor justo, não dança e se cobra um valor não justo, a gente não se valoriza, nem valoriza a nossa arte.

Devemos fazer uma pesquisa de mercado, analisando o preço médio da concorrência (o termo “concorrência” é estranho quando se trata de arte, mas pra fins financeiros funciona). Concomitantemente, faça o cálculo do gasto médio que você tem por apresentação (escova, unha, maquigem…) e analise o tempo (se vai dançar uma música ou várias durante o evento). A esse custo acrescente 100% do valor equivalente a sua “força de trabalho” ou esforço. Faça uma média entre o custo da concorrência e o seu custo e veja se o valor é adequado. Faça uma tabela constando os valores em horas de apresentação (exemplo: R$… por 10 minutos, R$… por 30 minutos e assim por diante).
Dessa forma você terá a noção exata do valor do seu trabalho. Mas é claro que isso é apenas uma dica de cálculo, pois tudo isso varia muito de região para região e da relação que os contratantes têm com as bailarinas…

Fonte de pesquisa: Texto de lorymoreira.

Ética na Dança!!!


Ética na Dança é o conjunto de regras de conduta das bailarinas entre si e para com seu público e suas alunas. O Código de Ética da Dança do Ventre foi elaborado, objetivando a organização e valorização de todos os segmentos envolvidos com a Dança do Ventre no Brasil.

A princípio, existem alguns pontos fundamentais que fazem a diferença e devem ser lembrados para a postura de uma bailarina de dança do ventre:

1 Ter um relacionamento honesto e aberto com outras pessoas que trabalham em sua área.
2 Ser pontual nos compromissos assumidos: apresentações e aulas.
3 Não discutir com o contratante. Defina claramente as condições do show antes, para não reclamar depois.
4 Evitar fofocas e boatos, infelizmente tão comuns no meio artístico.
5 Procurar compartilhar o espaço e não oferecer atrito onde quer que esteja.
6 Respeitar os grupos que não fazem parte de sua esfera de trabalho.
7 Utilizar bom senso nos relacionamentos.
8 Portar-se impecavelmente com todos a sua volta, para que as oportunidades sempre venham a seu encontro.
9 Não desfazer do trabalho de outros.
10 Respeitar suas origens os profissionais que te orientam é o passo inicial para ser uma bailarina de Ética e sucesso.

Este Código de Ética objetiva a união, a humildade, a seriedade, o respeito e o amor sincero à arte da Dança do Ventre estejam sempre acima de qualquer diferença pessoal. Que estes laços que nos aproximaram até aqui em favor do objetivo único de valorizar e organizar nossa arte se fortifiquem a cada dia, alcançando todas as praticantes da Dança do Ventre no Brasil.

Texto adaptado
Fonte: Lulu Sabongi


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Estilo Turco!


Aproveitando a onda da novela global “Salve Jorge”, achei um pequeno texto bem interessante para dar uma sintonizada no que seja o estilo turco de dança do ventre.  

Os estilos turco e oriental e os estilos árabes de Dança do Ventre compartilham o mesmo vocabulário de dança. No entanto, o estilo turco é influenciado por várias danças folclóricas da Turquia, assim como as danças folclóricas dos ciganos que vivem no país. Muitas dançarinas e músicos são ciganos e deram seu próprio toque especial à dança. Há geralmente ritmos populares com uma estrutura de 5, 7 ou 9 tempos juntamente com ritmos de 4 e 8 tempos. O Estilo Turco Clássico possui alguns pontos em comum com as eras de Ouro e Clássica do Egito e do Líbano, mas também possui um caráter patriótico muito forte oriundo da época do Império Otomano. No entanto, o atual estilo turco de Dança do Ventre é muito mais alegre e expansivo. Alguns nomes que valem a pena ser citados incluem Nesrin Topkapi, Princess Banu, Sema Yildiz, Asena, Didem, Tulay Karaca, Birgul Beray, Reyhan e Tanyeli, além de dançarinas estrangeiras como Artemis (EUA) e Eva Cernik (EUA).

Fonte de pesquisa: dançadoventrebrasil.com.




Melea Laff!


O Melea Laff (também encontrado como Meleya Laff, Mileya Laff, Melaya Laff ou Melea Laf) é um estilo de dança oriundo do Egito, mais especificamente a dança caricatural das mulheres de Alexandria visando atrair os marinheiros no porto (É difícil acreditar que mulheres "liberais" dançavam provocantemente no mercado, pois para chegar a tamanha ousadia por lá só sendo realmente prostitutas! Ainda assim encontramos na internet muita gente reforçando que a dança nada tem de prostituição, o que no final podemos até "quebrar um galho" quando pensamos no Egito com a dominação britânica, extremamente europeizado de antigamente...), surgido na década de 20 do séc. XX. Umas das formas de distinguir uma música certa para este estilo, por exemplo, é identificar o nome desta cidade na sua letra (Iscandaria = اسكندريه), visto que os ritmos que podem o compor são bem comuns nas músicas árabes, como o baladi (sempre presente), e também o malfuf que o marca bastante, também usado em outros estilos, como o Hagalla e o Dabke. O nome Melea Laff significa "lenço enrolado", denominando este estilo como "dança do lenço enrolado". A bailarina ostenta em seu figurino este lenço, com o qual realiza os movimentos que caracterizam a dança: ela o gira, o prende junto ao corpo realçando suas curvas, o transpassa entre as pernas, tudo é um jogo da sedução. O figurino então é característico: vestido curto de babados e justo, chador para cobrir o rosto (espécie de véu pequeno de crochê que se amarra na cabeça e durante a dança geralmente é colocado para trás), uma tiara na cabeça (com flores artificiais, pompons, entre outros para enfeitá-la) o tradicional véu do melea, maior (em comprimento), mais pesado e com medalhinhas ou pastilhas nas pontas para dar brilho, e tamancos (mas não muito altos para não atrapalhar a dança). Os vestidos podem ser pretos ou coloridos, floridos, o véu que é sempre preto, representando estas mulheres do Egito que andavam pelas ruas enroladas num véu preto da mesma forma que as bailarinas entram para iniciar sua performance (uma ponta presa embaixo do braço e a outra cobrindo a cabeça). Para dançar Melea Laff é necessário parecer alegre, afinal você está "seduzindo" um marinheiro charmosíssimo que acabou de chegar no porto, ui ui ui! É preciso ser provocante, sorrir, ter entusiasmo na dança. Como nela se interpreta um estereótipo, temos um estilo carregado de gestos, olhares, posicionamentos que dizem mais do que a dança em si: encarna-se aquela mulher livre, que está se divertindo ao chamar a atenção, que paquera, que cativa com sua aparência impetuosa. Melea sem interpretação não é Melea de fato, à primeira vista ele parece não ter mistério, mas envolve aquele quê a mais que qualquer bailarina deveria ter. Não tem jeito, para dançar Melea Laff tem que arrasar!

Fonte de pesquisa: dançadoventrebrasil.com.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Om Kalsum - A voz do Egito.


Om Kalsum
A Voz do Egito

Om Kalsum é a cantora e música deste século mais famosa e amada no Oriente Médio. Ela foi popular por 50 anos, e suas músicas ainda são muito ouvidas em todo mundo árabe.
Por uns, é chamada de kawkab al-sharq (estrela do Oriente) e por outros 'imperatriz da música árabe', Om Kalsum, com uma voz imponente e clara, ainda pode ser ouvida diariamente nas rádios, nos cafés e táxis de todo mundo árabe. Mesmo tendo morrido há mais de duas décadas, suas letras de amor, canções nacionais e cânticos religiosos continuam atingindo milhões de pessoas. Seu público, como se entrassem na música, cantarolam ou choram, sofrendo, em resposta às suas mudanças de timbre, cheias de nostalgia e anseio, tocando a alma árabe.
Om Kalsum nasceu em 1908, numa família humilde de camponeses em Tamayet-el-Zahayra - uma pequena vila egípcia. Ela começou a carreira de cantora como uma camponesa pobre vestida de garoto, porque mulheres virtuosas não podiam cantar em público. Simultaneamente, estudava o Alcorão e assim aperfeiçoou sua língua. Durante casamentos e festas de família, ela recitava, com estilo tradicional, partes desse Livro Sagrado e das as-Sirah - cantigas que contam a história do profeta Mohammed e sua família. Mesmo quando nova, sua voz tinha um alcance emocional inigualável e espalhou sua fama através do Vale do Nilo.
Em 1924 ela mudou para o Cairo, onde, nos anos seguintes, cativou fãs em todas as partes do mundo árabe, para os quais seus concertos eram um rito. Cada show se tornou um evento pan-árabe. Pessoas do Norte da África e do Oriente Médio, especialmente da península arábica, iam para o Cairo em toda primeira quinta-feira do mês com o único propósito de assistir a seus concertos, os quais, quase sempre, consistiam de uma única música que durava até as primeiras horas da manhã.
As músicas geralmente celebravam o milagre do povo árabe e de sua fé no Islamismo. Quase todas eram uma coleção dos grandes temas árabes, como amor, orgulho ferido e lembranças de uma paixão perdida. Elas juntavam os muitos golfos para unir os diversos fragmentos sociais do mundo árabe em uma só emoção. Diz-se que ela é responsável por manter viva a herança islâmica e as antigas poesias do deserto. Apesar de ter participado de muitos filmes, ela rejeitava músicas modernas e era fiel às músicas clássicas árabes consagradas.
Alta, com cabelos negros como o ébano, Om Kalsum era um enorme sucesso, e conseguia, com sua voz e palavras, criar uma atmosfera mágica e encantar seus ouvintes de um jeito que nenhum outro cantor árabe jamais tinha conseguido. Ela tinha uma voz com expressividade única, que arrancava risos de seus ouvintes ou até os fazia chorar.
A pouca distância do microfone, com um vestido de noite com botões de diamantes, ela torcia e apertava um lenço em suas mãos, à medida que sua voz, às vezes áspera e tensa ou entrecortada por pontadas de amor, alcançava tons impossíveis. Em outras horas, sua voz aguda que esticava ao soprano ou ao tenor e era pontuada, decorada e ecoada por sua orquestra, atingia profundezas cósmicas e causava uma mistura de saudade, melancolia e sonhos inalcançados.
Durante a Segunda Grande Guerra, suas letras tinham tamanha influência sobre os árabes que tanto os Aliados quanto o Eixo usavam os discos dela em seus programas transmitidos ao Oriente Médio. Mais tarde na década de 40 ela se tornou reconhecidamente líder da música árabe e sua vida se tornou a história do Egito moderno.
Depois de subir ao poder, Nasser se tornou muito próximo de Om Kalsum. Nos anos que se seguiram ela desfrutou de um status especial com esse jovem herói árabe - uma posição singular que nenhum outro artista jamais alcançou. Sua voz se tornou quase tão importante quanto os discursos do carismático Nasser. Para garantir uma audiência árabe grande, importantes notícias  políticas eram transmitidas antes dos concertos de Om Kalsum. Daí a fala de que 'nos anos 50 dois líderes emergiram no Oriente Médio, Jamal Abd AL-Nasser e Om Kalsum'. No entanto, mais do que Nasser, como a eterna Esfinge, essa voz dos árabes se tornou um símbolo nacional do Egito.
No mundo do esplendor artístico das décadas de 1950 e 1960, quando Om Kalsum se tornou o brinde do Cairo e uma heroína nacional, sua fama e adoração também alcançaram o zênite em outros países árabes. Alcunhada de 'Embaixadora das Artes Árabes', sua importância nos países árabes era tamanha que era recebida com a mesma cerimônia que altos membros do governo e levada em conta em planos para eventos importantes.
Durante seus anos de decadência, essa celebridade árabe era uma mulher recatada e modesta. Ao contrário de muitos artistas árabes de nosso tempo, ela tinha orgulho de sua descendência árabe-islâmica. Em sua vida cotidiana ela seguia as tradições árabes e agia como uma pessoa comum. Isso a tornou querida pelo povo. Eles a idolatravam e pensavam nela como uma deles, se referindo a ela como al-Sitt. Uma humanista dedicada, ela distribuiu grande parte do dinheiro que recebeu para os pobres. Diz-se que durante sua vida ela sustentou pelo menos 200 famílias camponesas.
Om Kalsum morreu em fevereiro de 1975. O funeral foi guiado pela corte presidencial e seguido por uma procissão de alguns quilômetros de adoradores. Estrelas de cinema, poetas, empresários, embaixadores e ministros caminhavam junto a milhares de fãs comuns, formando uma legião de chorosos. Da primeira fila da multidão até a última, o refrão 'Adeus! Adeus, nossa amada dama da música!' ecoava entre os soluços. A despedida massiva de pessoas chorando perdeu apenas para a de Nasser - o maior funeral da história do Egito.
Por estranho que pareça, a morte não acabou com seu poder sobre as multidões no mundo árabe. Sua voz fenomenalmente poderosa e cativante ainda mexe com o coração de milhões. Mais de 20 anos depois de sua morte, a lenda Om Kalsum está viva entre os povos do norte da África e Oriente Médio. Mais de 300.000 fitas suas ainda são vendidas anualmente só no Egito. Parece que a magia da voz que fez sua audiência eufórica, pedindo que ela repetisse as mesmas palavras várias vezes, não diminuirá com o passar dos anos. O ditado no Egito que duas coisas não mudam 'as Pirâmides e a voz de Om Kalsum' é talvez mais verdadeiro hoje do que quando esse rouxinol árabe andava sobre a terra.

Fonte de pesquisa: Claraazevedo - Multiply.




A Importância da Leitura Musical.


É fundamental trabalharmos os ouvidos para compreendermos melhor a leitura musical. Estudando não só a música oriental, mas também as ocidentais, nas quais os nossos ouvidos já estão inclinados a estes ritmos. No meu ponto de vista, até mesmo para simplificar o aprendizado da aluna, ensino que uma música para dança do ventre basicamente é composta por: instrumentos musicais, ritmos, frases, tempos e estrofes.

Exemplos:
“Quais os instrumentos que compõe aquela música?”
Acordeom, Derbak, Cítara, Duff, entre outros.
“Quais os ritmos que compõe aquela música?”
Said, Malfuf, Samai, Baladi, entre outros.
“Quantas frases e de quanto tempo?”
Seis frases de três tempo.

E assim por diante.
Todos estes aspectos irão definir qual tipo de seguimento que se dará na música e consequentemente também na dança: tradicional, clássica, moderna e folclórica.
Aqui vai para vocês o que encontrei de mais próximo para melhor interpretar os seguimentos da Dança do Ventre:

Dança do ventre Tradicional: Pela lógica a dança tradicional é aquela que é dançada no país que consideramos de origem, por exemplo, o Samba é uma dança tradicional do Brasil. Dança do ventre tradicional é a dança do ventre executada na sua forma mais original, ou seja, é a dança do ventre “pura”, se é que podemos chamar uma dança milenar de pura. Trata-se de uma dança mais descontraída e popular.  A música geralmente é mais homogênea, não contendo tantas variações na contagem de tempo. O traje é o tradicional de duas peças.

Dança do ventre Clássica: Como já sugere o nome possui bases e influencias de movimentos do Ballet clássico como, movimentos de giros, pés em meia-ponta, postura elegante de bailarina, além de braços clássicos bem definidos. Tudo isso associado aos movimentos da dança do ventre é claro! É dançada na música clássica feita por uma orquestra é lógico! Mas não uma música clássica comum, mas sim a música clássica Árabe e oriental. São músicas lindíssimas que possuem muitas variações de ritmos, são bem longas podendo variar de 6 minutos até 13 minutos, possuem introduções instrumentais longas em torno de 1 minuto. A bailarina pode usar o traje de 2 peças ou um vestido se estiverem bem caracterizados para a música. Na maioria das músicas clássicas fica maravilhoso se a bailarina fizer uma entrada com véu.

Dança do ventre moderna: Muitas das músicas de Oum Koulsoum foram regravadas com uma interpretação mais  moderna, além do surgimento de  novos cantores trazendo para a música uma nova roupagem com influências mais populares e ocidentais mas mantendo seus ritmos característicos. Para poder acompanhar a modernidade da música, ao dançar a bailarina deve estar de preferência usando um traje mais moderno assim como a sua interpretação coreográfica.

Folclore Árabe: As danças folclóricas de origem árabe e oriental são muitas, cada uma com sua história, localização, roupas e artefatos característicos, música e a população que a dançava. Podemos dançá-las de maneira mais fiel possível com todas as características da dança, também podemos dançar traços suaves delas quando aparecem levemente representadas em músicas clássicas e também podemos dar uma interpretação moderna a esses folclores. Esses são alguns exemplos dessas danças: Said (Dança do bastão ou bengala), Baladi, Gawasi, Khaleege, Dabke, Meleah laf, Dança do jarro, Dança das flores, Karcilama, Dança Núbia, Fallahi, Haggala, Tribal.



Fonte de pesquisa: Blog Alessandra Machado -

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Meran - zaar - en Colette - Conheça o ritmo Zaar.

Ritmo Zaar.


O Zaar, mais do que um estilo, é uma expressão religiosa, um ritual. O ritmo - Ayoub - usado para promover o transe desta dança, também pode ser conferido em rituais afro religiosos, como o candomblé e serve para afastar maus espíritos.
O ritual Zaar é feito exclusivamente por mulheres, os homens - músicos ou ajudantes nos sacrifícios - participam para entoar o ritmo Ayoub, enquanto elas movimentam a cabeça, jogando os cabelos, até entrar em transe e cair no chão, e assim se libertar dos espíritos ruins. Por rechaçar tais espíritos causadores de males, o Zaar é considerado uma dança de cura através da conciliação dos espíritos em seu corpo. Logo, o Zaar não é um exorcismo, pois os espíritos não deixam as mulheres que dançam, apenas se "acomodam".
Existe todo um aparato para a realização deste ritual, como a roupa branca e o perfume da mulher que entrará em transe (o perfume como oferenda), e até sacrifício de animais (desde galinhas até camelos, se a mulher for rica) para ser consumido pelos participantes. Dessa forma, o Zaar, como ritual, é algo bem diferente daquele praticado para a dança do ventre, pois carrega uma simbologia e uma religiosidade fortíssima, que não deve ser menosprezada. Por causa dessa forte ligação com a magia, o ritual Zaar é proibido nos países islâmicos, o que não impede a sua realização em meios privados, uma vez que é uma tradição familiar (passada de mãe para filha), e que muitos acreditam ser necessária para a cura de enfermidades.
Na dança do ventre, o estilo Zaar aparece na utilização dos passos usados para as mulheres entrarem em transe. Neste caso não há teor religioso, apenas se marca o ritmo Ayoub com o estilo Zaar, sem a intenção ritualística: a dançarina joga a cabeça pros lados e a gira, podendo também usar movimentos pélvicos e de braços.

Fonte de pesquisa: Dança do Ventre Brasil.


Dançando Músicas Clássicas!!


Dançando Músicas Clássicas 
Texto de Jalilah - do blog Amor à bellydance!

Hoje gostaria de compartilhar com vocês, uma das formas de interpretar tecnicamente uma música clássica sem cometer erros, lembrando que todas as regras aqui ditadas são válidas para apresentações em Casas de Chá, não em palcos ou competições, onde regras como as que vou citar são simplesmente desconsideradas, não representando erros.
 Há muito tempo, tenho observado que nas apresentações de bailarinas em músicas clássicas na dança oriental árabe, existem certas regras que sempre são obedecidas para que haja certa "harmonia e equilíbrio" em cena. Aqui não trato da expressão da bailarina, que nesse momento, já deve ter sido estudada e construída na dança, muito menos de sua técnica e construção de passos e movimentos característicos de nossa arte, não... Nesse momento da dança, todos esses pontos já necessitam possuir plena harmonia: a expressão, os movimentos (técnica), a leitura musical... tudo isso, nesse momento já deve estar estruturado para passarmos ao passo de que estou falando, e os itens acima são assunto para outros posts... vamos devagar... Estou falando do comportamento da bailarina em cena, e do contexto de sua apresentação... de seu início, meio e gran finale... enfim, das "regras", (é difícil falar disso sem utilizar a palavra REGRA, por mais que eu não queira impor isso como tal, e nem deva... afinal... Quem sou eu pra isso???... mas é uma palavra que explica bem o que eu gostaria de dizer). Tudo começa com a música clássica... e sua introdução... Na música clássica, a introdução da música é o momento importante... O público aguarda, e comumente a música começa... e se passam alguns longos segundos (longos para quem espera, nunca para a bailarina, que sente o friozinho na barriga, e as pernas quererem parar por alí mesmo...) e em instantes, a música se apresenta, e se apresentam os músicos, (quando há música ao vivo), e você como bailarina, já sabe qual é o "drama" que vai encarar... se conhece a música, ok, maravilha, caso o contrário, irá confiar na sua experiência, em sua leitura musical, em sua qualidade técnica e em seu conhecimento adquirido durante os anos em que dançou...

A Introdução da Música - O Momento de Espera: Normalmente, em uma Casa de Chá, a bailarina não dança a introdução, o público aguarda sua entrada nesse momento. Assim, a regra se repete em shows que assisto por aí, inclusive com bailarinas de "clãs diferentes", escolas diferentes... exceto em alguns concursos, onde normalmente a introdução precisa ser "cortada", retirada da música por conta da contagem de minutos, normalmente restrita em palco.

 A Introdução da Bailarina - O Momento mais próximo da entrada em Cena e da Melodia: A introdução da música a apresenta, pode ser super grande, ou bem pequena, mas você identifica que ela acaba apenas quando inicia-se a Introdução da Bailarina, normalmente (e isso não é regra), a música muda de humor e dá início a toques de derback ou de instrumentos percussivos que parecem conversar com você... e te avisar: "Prepara que vai começar"... isso pode durar apenas alguns segundos e pode ser mesmo bem rápido... mas depois que você identificar esse toque na primeira música, você o identificará sempre...

Momento da Entrada - Na Melodia, a Bailarina se apresenta: Após a Introdução da Bailarina, temos a melodia, ela começa e a bailarina precisa ter começado com ela, como se a bailarina anunciasse a todos, com sua presença, que a música que realmente começa, que realmente inicia agências viagens sua evolução... e nesse momento, o da entrada, é importante a comunicação com o público, a saudação, é o "ganhar o público", cativar a platéia... e como sempre é hiper necessário todos os tipos de deslocamentos possíveis, imagináveis, para encher a sala de "vida"... Chegou a tão esperada... Identificar a Melodia é fácil depois de um tempo, é como minha amiga Monah disse uma vez pra mim, antes de uma prova: _ A música vai pedir pra que você entre, nesse momento, ela exige o seu movimento, mova-se, desloque, use e abuse dos arabesques... Pra ajudar quem está iniciando e pra facilitar a compreensão já que estou explicando à distância, pense que ela vem sempre na entrada, depois da "Introdução da Bailarina", que está presente na música inteira, mesmo que tocada de formas diferentes, ou em velocidades diferentes, como um dos nossos refrões de música ocidental.

Momento Técnico - A Bailarina Mostra sua Técnica: Esse momento virá em várias partes da música, e será também seguido de outros momentos de melodia, sempre... São os momentos em que a bailarina para para mostrar sua evolução, movimentos e técnica, onde mostra sua destreza com a dança... e quando a melodia vem, voltamos ao passo acima, para nossos deslocamentos, sempre lembrando de mudar, e se preocupando para não nos tornarmos repetitivas... finalizando sempre os movimentos que começa, para manter limpa sua dança... e mais uma vez a leitura musical mostra sua importância...

Momento Mudança de Humor - A Bailarina Mostra Diferentes Faces de Sua Dança: Toda música clássica, carrega consigo normalmente uma rica bagagem de ritmos e sons diferentes, e normalmente fica fácil identificar, conhecendo previamente os ritmos árabes que em todas elas há uma mudança de humor, drástica em algumas músicas e super discreta em outras... Algumas músicas trazem consigo um Khaleege, um Saidi ou até um Zaar pra quebrar a rotina... Sim, poderíamos chamar de quebra de rotina na música, ou até mesmo de mudança de humor... Então, concluímos que a bailarina precisa mudar de humor juntamente com a música... o que em concursos e pré-seleções por aí, pode demonstrar conhecimento apurado ou não da dança do ventre... e pode, muitas vezes desclassificar uma bailarina em um concurso, quando passa despercebida. Esse momento também vai ser intercalado com momentos de melodia, e momentos técnicos, que vão se repetir algumas vezes para "ligar" a música, pedacinho a pedacinho, frase a frase. Podendo chegar a momentos de derbacks longos fazendo a ligação com flautas calmíssimas... Assim, essa rotina se repete até que haja o Momento Caos.

O Momento Caos - Marca o declínio da música para sua finalização e depois de muito "suar a camisa" e dançar muito, a melodia ganha velocidade (às vezes, em algumas músicas, assustadora), e isso exigirá preparo da bailarina pra que a acompanhe, é o momento inverso ao da entrada, o momento de saudar novamente seu público, restabelecer contato, com a finalidade inversa: Ao invés de se apresentar, a bailarina toma o "ar da despedida"... É hora de ver todos novamente, de forma mais tenaz, mais rápida, mas demonstrando a serenidade de quem está cumprindo seu dever, e hora da bailarina guardar na memória um momento da música, que possivelmente será especial e eterno... normalmente, é dessa hora que ficam as boas recordações de uma dança... Você fez 80% do trabalho, curta um pouco com todos, é assim que EU encaro o momento... momento de registrar na cabeça tudo o que se passa... sem claro, esquecer da técnica...

Introdução Para a Finalização - Temos então, a Introdução para a Finalização, onde a música dá os primeiros sinais para paralisar, o humor muda outra vez, como um... "Pediu pra parar... parou! - que os brasileiros conhecem muito bem"... Nele, a bailarina já possui novamente o centro do palco... e vai utilizar de todos os artifícios possíveis, giros rápidos e etc, para criar a sensação no público de que algo maior precisa vir pra completar o processo... é o Gran Finale chegando.

Gran Finale - Guarde suas armas mais poderosas, e pelo Amor do Cristo, não termine fora da música, estraga tudo, traz uma sensação de frustração... (já passei por isso). E termine, termine feliz e maravilhada e linda e maravilhosa tudo o que começou, triunfante, mesmo que a introdução, e melodia e mudança de humor e outras coisas mais não tenham saído exatamente como o planejado...




sábado, 1 de setembro de 2012

DANCERS SOUTH AMERICA - Yoli Mendez

Duo de Gabriela Miranda e Yoli Mendez no Opa Fest

Bailarina Homenageada da semana: Yoli Mendez!!


Meu nome é Simone Paggioli, mas a maioria das pessoas me conhecem como Yoli. Posso não aparentar, mas recém cumpri 31 anos e o pedido da querida Diani por um resumo sobre a minha carreira como bailarina me fez parar um pouco para pensar neste percurso todo. Muito obrigada Diani.


Bom, minha paixão pelo tribal nasceu quando ingressei em uma turma de dança do ventre que estava se iniciando no recém-nascido estúdio de dança LpontoA inaugurado pela minha professora de jazz Luciene Almeida, santa esta que que me atura desde os 12anos de idade. Ela me pediu que fizesse parte da turma ainda pequena para incentivar a inscrição de novas bailarinas e para que eu conhecesse um outro estilo de dança. Confesso que a princípio não gostei muito da ideia mas como sempre fui a favor dos estudos e como simpatizei bastante com a professora passei a frequentar às aulas 2 vezes por semana. Se a Lú soubesse que me perderia como membro do grupo de jazz que mantinhamos há anos...
Ana Karina não era uma professora comum de dança do ventre (me dei conta disso três anos mais tarde quando já me especializando no tribal retornei às aulas de DV), suas aulas eram regadas de muita dança indiana e seu repertório de passos incluía algumas coisas "anormais" para uma tradicional aula de dança do ventre (também só vim me dar conta disso depois) e em todas as aulas sentávamos no cão em círculo e tinhamos treinamento pesado com snujs. Algumas aulas depois eu estava completamente deslumbrada, passei a me dedicar ao máximo, devorarando tudo sobre o estilo, baixando músicas árabes, caçando vídeos no youtube, fuçando as comunidades do orkut, visitando a loja do Tony Mouzayek e, deixando meu antigo grupo de dança moderna para me dedicar à dança do ventre. Eu tinha certeza que tinha encontrado minha vocação! Foi então que em um destes "momentos de obsessão" me deparei com um DVD do BellyDance SuperStars e nele estava Rachel Brice! Acho que nem preciso continuar relatando o que aconteceu comigo, pois com certeza o mesmo aconteceu com a maioria das bailarinas que hoje se dedicam unicamente o Tribal Fusion. Completamente hiperventilada fui questionar a minha professora "anormal" de Dança do Ventre, que calmamente me explicou que aquele estilo de chamava Tribal e que tinha se originado do ATS que por sua vez tinha sido criado pela SUA professora Carolena Nericio em São Francisco, EUA. E hoje em dia me dei conta que, aqueles passos "incomuns" que ela passava nas aulas de dança do ventre, eram movimentos básicos de ATS que ela tinha aprendido com a mãe do tribal que foi sua professora por 5 anos na Califórnia. Resumindo: Eu já estudava tribal mesmo sem saber que era tribal! Acho que daí pra frente as coisas no mundo da dança para mim começaram a dar certo, eu me senti bem, me senti motivada, me senti... não sei explicar... aquela sensação de "é isso que eu quero fazer pro resto da vida!" e agora aquela obsessão pela dança do ventre se voltava para o tribal.
Foi difícil encontrar uma professora com conhecimento legal no estilo em 2009, e pesquisando um monte acabei por me tornar aluna da Mariana Quadros na escola Bele Fusco em São Bernardo. Neste mesmo ano em São Paulo pude estudar com Sharon Kihara, Mardi Love e Ariellah no evento produzido pela mesma escola em São Bernardo. A partir desde ponto estudei e procuro estudar sempre que posso com todas as bailarinas gringas que aparecem pelo nosso país e tenho a minha mestra gringa de coração: Mira Betz. Também em 2009 e através do tribal conheci Gabriela Miranda que passou a ser minha mestra, inspiração, amiga e amor. Com ela estudo regularmente até hoje na Escola Campo das Tribos e posso dizer que é umas das mais experientes profissionais em tribal fusion que temos atualmente em São Paulo, e quem é aluna dela vai concordar comigo. Com a Gabi aprendi muito sobre música, expressão, união, intenção e foco, história do tribal, além é claro da técnica.
Voltei então às aulas de DV com a magnífica Mahaila El Helwa e estudo Neo Tribal com Luy Romero.
Bom para finalizar, atualmente sou integrante da "Cia de Dança DSA - Dancer South América", dirigida por Adriana Bele Fusco e Roger Amaral, fui membro do grupo de ATS " Pandora" criada em dirigida por Mariana Quadros, participei como jurada do concurso tribal da revista Shimmie e sou uma bailarina de tribal com fobia à solos, rs! Verdade, ainda não consegui passar todos estes anos de estudo para o palco como solista o tanto que eu gostaria! Eu particularmente amo dançar em grupo, principalmente ATS, onde o espírito de tribo e a amizade sincera são características fundamentais para fazer "a coisa dar certo", se não houver esses dois elementos não rola! O Tribal tem uma história muito linda, muito intensa, muito interessante, e eu fico triste porque não é difícil encontrar pessoas se dizendo "profissionais" que não se interessam em saber a raiz da dança que passam adiante, quando ainda não ensinam errado ou incompleto.
Minhas indicações de professores são: No Brasil não podemos perder a oportunidade de estudar com Gabriela Miranda, Kilma Farias, Mariana Quadros, Cibelle Souza e Karina Leiro (manda um flamenco de te deixar pasmada, rs). Outras duas profissionais com quem não fiz aulas mas sei que sabem o que faz são: Rebeca Pineiro e Paula Braz. Das internacionais fica difícil escolher uma só, acho que se você tem oportunidade de poder estudar com as pessoas que fizeram parte do início do tribal na fonte, se joga! Minha preferida é a Mira Betz, uma profe bem conceitual que com certeza muda sua vida, eu disse VIDA e não só a dança. Ariellah também é uma profe bem conceitual, Lady Fred, Mardi Love, Sharon Kihara, Morgana, Moria Chapell, Kami Liddle são ótimas também cada uma em seu estilo. Sonia Ochoa é espetacular nas fusões latinas, amei fazer aula com ela!
Por fim, a dica que eu deixo para todas as bailarinas, não importa o estilo que estudem é: Se questionem sempre!! Porque eu danço, qual é a história da dança que eu estudo, porque eu uso este figurino, porque escolhi essa música, porque eu estudo com esse professor, com quem meu professor aprendeu o que ele me ensina, etc... Às vezes nós brincamos de seguir o mestre sem nos darmos conta! 
Beijinhos a todas e obrigada Diani pela oportunidade!!


Texto escrito por Yoli Mendez!!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Giros na Dança!


O giro na Dança do Ventre é um dos elementos mais lindos na apresentação. Com ou sem o véu, é sempre um fator de encantamento.
O ato de 'girar' tem uma simbologia que ultrapassa o nível da técnica e nos remete aos estudos dos sentidos, dos povos e dos símbolos.
Primeiro vamos falar da parte técnica, do físico. Num próximo post, vou falar sobre a teoria e os conceitos do ato de girar, desde os Dervixes, até pesquisas em antropologia.
Vamos a este post, primeiramente a Parte 1:
Equilíbrio - Cuide do Ouvido.
Por que o ouvido? Porque é ele o responsável pela detecção dos movimentos acelerados e a manutenção do equilíbrio do corpo.
Em específico, o ouvido consiste em 3 partes básicas - o ouvido externo, o ouvido médio, e o ouvido interno.
É no ouvido interno que está todo o aparato responsável pelo equilíbrio.
Pessoas que têm Labirintite geralmente têm dificuldade extrema para executar os giros na dança.
Às vezes a aluna descobre ter Labirintite - ou uma crise dela - durante a aula.
É importante que a professora esteja atenta e não force a aluna a executar o giro.
Nesse caso, o melhor a fazer é averiguar com um médico Otorrino, se há algum problema.
 Cuidar do ouvido não envolve só protegê-lo por causa da Audição, mas também do Equilíbrio e eixo de nosso corpo.

Cuidamos da Audição quando colocamos um volume adequado no fone; quando fazemos a higiene corretamente; quando utilizamos brincos e piercings coerentes com nossa estrutura corporal e protegemos o ouvido quando utilizamos a piscina ou em ocasiões de trabalho laboral.
Cuidamos do Equilíbrio e eixo quando nos alimentamos corretamente, com nutrientes para o bom funcionamento do nosso corpo e não abusamos de cafeína e estimulantes. O excesso de cafeína, bebidas alcóolicas e estimulantes (café, refrigerante, chá preto, etc) desestrutura nosso aparato auditivo- e isso inclui o equilibrio.
Lembram-se do Teste de Andar em Linha Reta e 'Fazer o 4' para pessoas alcoolizadas? Pois é. Quando a bebida excede os limites do corpo, o primeiro sintoma é o andar 'cambaleante', o famoso 'andar de bêbado'. Por isso, bailarinas: cuidado com o excesso de bebida.
Mesmo que o beber seja apenas 'socialmente', com o tempo as estruturas físicas se desgastam devido ao álcool. Daí vem tremores, desequilibrio e vertigens.
Um bom giro na dança começa pelo seu cuidado físico. Cuide do seu ouvido e de seu corpo.
Tipos de Giro na Dança:
Tecnicamente, existem dois tipos: Giro Ocidental e Giro Oriental.
Têm esse nome devido à marcação utilizada para a sua execução:
Ocidental - olhamos para fora, marcamos um ponto no espaço externo ao nosso corpo, para servir de base para o eixo.
Oriental - olhamos 'para dentro', para um ponto em nosso próprio corpo, como eixo. (braço, ombro, mãos, etc.)
Há maneiras diversas de executar os giros e milhares de possibilidades de direção, desenhos e molduras dos braços.
Há dois importantes fatores psicológicos que influenciam na técnica do giro: o medo da entrega e os mecanismos de defesa.
Mesmo com o físico em perfeito estado, esses fatores podem alterar a estrutura da sua dança.
*Nota: As informações sobre estrutura do ouvido foram resumidas. Para um  aprofundamento específico, consulte um Otorrino.
A Estrutura dos Giros
Nas bibliografias sobre Dança, não há ainda uma obra estabelecida somente para tratar dos Giros como técnica em dança. Isso pode acontecer, porque é muito difícil dissociar a parte ritualística e significativamente social e antropológica do ato de Girar.
 O giro é uma 'dança por natureza'.
 Crianças passam horas brincando de girar, dervixes giram para encontrar seu deus, as 'giras' da umbanda delimitam o espaço e o momento da presença do Orixá, e em muitas culturas através dos tempos e do mundo, o ato de girar é presente, com diversos significados.
A estrutura que antecede o ato de girar principia em nosso eixo e equilíbrio.
É preciso estabelecer um ponto de segurança e conexão com o espaço (que pode ser em nosso próprio corpo ou em um ponto no local, externo a nós) e somente depois desencadeamos a ação de girar.
Uma base é necessária, mesmo durante a execução do giro - os pés não saem ao mesmo tempo do ponto eixo, por mais que pareça o contrário, sempre haverá uma troca de peso e pés, para ter a base presente.
 O movimento de girar dependerá de três circunstâncias:
 - o grau de energia: a energia que empregamos ao realizar o movimento é a responsável pela expressão (cansaço, força, disposição, rancor);
 - a velocidade: podemos classificá-la em inferior à necessária, superior à necessária e exata.
 - o desenho: pode ser curvo, reto ou sinuoso.
O movimento poderá ter sua expressão alterada de acordo com essas três circunstâncias e dependendo do contexto em que é apresentado.
Um bom giro vai depender do seu eixo, da maneira como posiciona o seu corpo em termos de contato com o solo e as possibilidades de transitar por esse eixo.
 A música é o seu guia em relação à velocidade, desenho e grau de energia.
 A bailarina deve compreender a proposta da música e com os giros, sinalizar o seu significado.
Há maneiras diversas de executar os giros e milhares de possibilidades de direção, desenhos e molduras dos braços.
Uma boa dica é treinar diversas possibilidades e sentir de que maneira isso pode afetar seu equilíbrio.
 Um bom giro é aquele em que a bailarina se diverte enquanto gira, respira, descansa.
Girar deve ser sempre tranquilo, a bailarina só deve fazê-lo quando sentir-se segura.
 Para deixar sua dança interessante, imagine diferentes possibilidades de braço, posicionamento da cabeça e finalizações.
 Pensar no início e no final do giro é preciso, para que não fique algo sem sentido.
Finalizar com arabesques, um bom trabalho de pernas ou uma bela pose, deixa sua dança grandiosa.
 Na dança do ventre, os giros são muito utilizados nas finalizações, seguidos de uma bela pose de impacto. Mas lembre-se: sempre de acordo com a música.
 Uma fonte de inspiração que eu costumo utilizar são os giros da patinação artística. As patinadoras sabem como ninguém fazer belos desenhos de braços e alternar a velocidade dos giros. Essa é minha dica: veja vídeos de patinadoras, a minha favorita é Irina Slutskaya .
 Treine os dois tipos de giro (oriental e ocidental) para sentir qual é o de execução mais tranquila para você. Lembre-se: mais tranquila. Não se acomode no mais fácil, mas no que é tranquilo para a você. Brinque com as direções (sentido horário e anti-horário, diagonais, variações).
E permita-se a entrega enquanto gira.
Um giro não será visualmente bonito nem interessante se transmitir medo ou insegurança.
Giros - Fatores Psicológicos
Somos um corpo que dança. Um corpo que não é destituído de sentimentos, emoções e vivências. Somos humanas, e não robôs.
Cada bailarina tem sua marca pessoal.
Isso não se restringe apenas a estrutura física (gorda, magra, alta, baixa) nem em nossas cores (cabelo, pele, olhos) ou traje, perfume e formas.
Cada fibra, músculo e toda a estrutura orgânica se articulam com nossas experiências pessoais que trazemos desde a concepção.
A vida desde seu início se traduz por movimento. Estamos em constante movimentação.
Repare no fluxo sanguíneo percorrendo o corpo, os órgãos digestivos, a vibração de cordas vocais, o batimento cardíaco.
Somos ritmo, o tempo todo.  Quando ainda bebês, precisamente fetos, já na 20ª semana de gestação são capazes de ouvir e perceber movimentos internos e externos. Desde esse período, nosso aparato mental e de memória registra sensações, vivências e lembranças.
Muitas vezes essas lembranças podem surgir anos depois, em situações de vida ou acontecimentos que fazem 'disparar' essas memórias, em ocasiões que nem imaginamos ou associamos.
 O ato de girar traduz intensamente a noção de movimento como continuidade da vida.
 Um corpo sem vida não tem movimento, até os animais percebem isso.
Quando giramos, estamos conectados a força máxima de vida: movimento!
Desse ato, porém, podem surgir outros mecanismos positivos e negativos. Girar nos faz sair do eixo fisicamente e, no aspecto psicológico, nos liberta.
Esse 'libertar-se' pode trazer no aspecto positivo:
- sensação de liberdade;
- alegria;
- plenitude;
- expansão

No aspecto negativo:
- medo;
- ansiedade;
- defesa.
Os aspectos positivos são experimentados quando nossa estrutura interna está 'em equilíbrio'. Coloquei esse termo entre aspas, porque é preciso atentar que a definição de 'equilíbrio' não significa um atestado de 'normalidade' ou 'ausência de patologia', mas sim um estado em que temos qualidade de vida, em que nossas ações e sentimentos estão em sintonia, um estado em que sabemos quem somos, o que podemos ser e vivemos a vida transitando de maneira estável, mesmo entre problemas e situações que todas passamos.
 Esse equilíbrio pode mudar, as vezes pelo surgimento de um fator externo, uma doença, algo que foge ao nosso controle. Nesse caso, o equilíbrio fica 'pausado' até que a situação se estabilize.
 Por isso muitos Psicólogos utilizam em laudos, após a palavra 'equilíbrio' a frase: 'até o momento'.
 Porque sabemos que tudo pode mudar, e isso é fato, não motivo de perturbação ou patologia. Depois o ciclo pode voltar a se estabelecer.
O giro faz com que nossa estrutura 'se abra' para a Vida, o Universo, o CÉU (Campo de Energia Universal). Por isso, colocaremos 'para fora' o que está em nosso interior.
Quando algo está em 'desequilíbrio' (foge ao nosso controle, o que nos tira do 'equilíbrio' interno, como definido acima) o giro em sua movimentação e abertura, nos mostra os aspectos negativos de nosso mecanismo interior.
O medo é o primeiro a surgir.
Primeiro um medo físico: da queda, de machucar-se, de perder o sentido de direção.
Por mais que tenhamos consciência de que o corpo nos sustenta e se a queda vier, do chão não iremos passar (como dizia Mariane Nakao, minha primeira professora de Dança), algumas pessoas tem um medo impressionante da queda. Pode-se mostrar treinar, mas a pessoa simplesmente 'trava' perante o medo de cair. Nesse caso, nem é de machucar-se, mas sim de cair, como se o chão fosse se abrir e entrássemos num abismo profundo.
 Em algumas abordagens psicológicas, o medo da queda pode significar o medo do autoconhecimento, de encontrar nossos segredos ou desejos mais profundos.
 O medo de machucar-se pode 'mascarar' um desajuste na autoestima e um mecanismo de defesa, ativado por históricos de frustrações em relacionamentos (traições, decepções, mágoas). A pessoa teme tanto machucar-se, porque isso significa que mais uma vez ela irá sofrer.
 Perder a direção diz respeito não só a localização no espaço físico, mas no meio em que vive. Pode sinalizar pessoas com dificuldades de se impor em seu ambiente social, profissional ou familiar; bem como o medo de perder a estabilidade e o status que já foi conquistado.
 Durante o ato de girar, também podem surgir sensações de ansiedade e defesa.
A ansiedade nos avisa de que algo pode dar errado, ou tornar-se incômodo. A bailarina gira ansiosa para que aquilo termine logo, senão algo de si 'poderá ser demonstrado, percebido'.
 A 'defesa' trabalha nesse mesmo aspecto, não permite um giro pleno, uma postura corporal tranquila, pois tenta 'proteger' da queda, do medo, do que o giro deixará fluir.
 É preciso registrar e entender que esses fatores são uma pequena ramificação de processos internos bem mais profundos e complexos. Não se deve 'psicologizar' tudo.
É saudável ter receio de girar por medo de cair, é saudável tentar proteger o seu corpo, já que ele é instrumento da sua arte, seu trabalho.
O que pode indicar um 'probleminha' é se os medos surgirem numa frequência constante e se você perceber que há pontos de sua dança que não evoluem, por mais que se pratique e treine.
 E não vai ser este artigo ou uma pesquisa de internet superficial que vai explicar acerca do ato de girar não ser eficaz em sua dança.
 É preciso primeiro checar se o problema não é puramente falta de treino, prática e orientação dirigida por uma professora competente.
Ou se o problema é físico, como descrevi sobre os Cuidados-Equilíbrio e Ouvido.
Caso não seja nenhum desses fatores, olhe para você mesma, faça um exercício de autoconhecimento (como lida com críticas, frustrações, expectativas?) e procure uma ajuda auxiliar com um Terapeuta ou Psicólogo. É muito bom poder falar de nossas questões com alguém confiável, que vê a situação por outro ângulo e pode ajudar com meios diferentes do que nosso repertório está acostumado.
Já se foi a época em que fazer terapia era considerado coisa de 'louca.' Isso é preconceito, coisa de gente mal informada.
No mais, procure qualidade para a sua vida. Faça o que gosta e goste do que você faz. Seja coerente com o que você vive e acredita. Faça aos outros o que gostaria que fizessem por você e entenda que a vida, as pessoas, podem nos magoar e isso nem sempre é maldade.
 Viva, com o melhor e o pior que a vida trouxer, lembrando-se que tudo é movimento.
Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe...
E gire feliz!
Giros – Simbologia
“Um giro secreto em nós faz girar o universo
A cabeça desligada dos pés, e os pés da cabeça.
Nem se importam.
“Só giram, e giram.” (Rumi)
 O Ato de Girar tem símbolos em praticamente todas as culturas, em diversos segmentos.
 No segmento religioso, o ato de Girar expressa um 'desprendimento' da alma, em busca do contato direto com Deus.
Quando giramos, estamos livres de todas as 'amarras', receios e padrões, isso facilita o caminho numa ligação com o divino, por meio da mudança de eixo, da entrega e da confiança total ao criador de todos nós.
O universo foi criado em movimento, e pelo movimento retornamos ao nosso centro criador.
'Girar para encontrar Deus' é o que impulsiona os Dervixes ou Sufis e mesmo em shows de Tanoura, é o sentido por trás de cada ato.
 Passeando pelas religiões africanas, também encontramos o ato de girar como característica essencial para reconhecer uma entidade específica (Umbanda ou Candomblé).
 Em algumas escolas de Yoga e de Meditação, professores utilizam os Giros como método para reorganizar e reequilibrar os chackas - ou canais de energia do corpo.
Crianças costumam brincar de girar, como um passatempo silencioso e divertido, e muitas vezes giram até cair, felizes, descobrindo o que o ato de girar as faz sentir.
 O Giro como metáfora pode traduzir tanto perda quando descoberta ou ganho e também se faz presente em ditos populares ou letras de belas canções. Brinque de pesquisar e digite no Google 'giro' em canções ou 'letras de música' e vai perceber como o ato de girar inspira as mais diversas canções.
Alguns animais sinalizam o ataque girando ao redor de sua presa; em algumas disputas por território, fêmeas insistem em girar ao redor do alvo - ou macho- eleito.
O instinto atávico faz com que cães girem ao redor de si  mesmo antes de deitar-se para dormir.
Apaixonados sentem 'o mundo girar' quando o eleito de nosso coração se aproxima.
E, na dança, um giro pode ser uma marcação da música, um elemento coreográfico, uma bela finalização.
Mas, depois dessa série de escritos, fica difícil imaginar que o giro é 'apenas' um giro. Não é?!
 Que cada bailarina encontre o seu significado no ato de girar.

Por Luciana Arruda
Site A bailarina.